A votação definitiva da declaração sobre a Liberdade Religiosa foi feita a 19 de novembro de 1965. O II Concílio do Vaticano (1962-65) entrava na reta final… Esta votação foi feita cerca de mês depois da do capítulo sobre os judeus (esquema sobre as religiões não cristãs) é um dos momentos que entrou nos anais deste acontecimento magno convocado pelo Papa João XXIII.

A votação definitiva da declaração sobre a Liberdade Religiosa foi feita a 19 de novembro de 1965. O II Concílio do Vaticano (1962-65) entrava na reta final… Esta votação foi feita cerca de mês depois da do capítulo sobre os judeus (esquema sobre as religiões não cristãs) é um dos momentos que entrou nos anais deste acontecimento magno convocado pelo Papa João XXIII.

Nenhum outro esquema conheceu tantas vicissitudes como este, que apareceu, justamente, a numerosos observadores como o teste por excelência da boa vontade, e mesmo de boa-fé, da Igreja romana. Com este esquema, um dos principais obstáculos da estrada do ecumenismo foi levantado. O que era impossível ontem será possível amanhã.

Ao criar o secretariado para a unidade dos cristãos e dando-lhe todos os poderes para redigir e apresentar esquemas relativamente às comissões conciliares, o Papa João XXIII “tinha a intuição de que este organismo – confiou-o ao seu amigo cardeal Bea – conheceria imensas dificuldades” (Henri Fesquet – «O Diário do Concílio»; Volume 3, Publicações Europa – América, pág 315). A cúria romana olhou com desconfiança este secretariado concorrente, que, sob o impulso dum cardeal alemão, despojava o Santo Ofício duma parte das suas tradicionais atribuições. Os trabalhos vieram provar que a equipa do Cardeal Bea triunfou “quase totalmente” (Obra citada).

“A animosidade dos inimigos deste texto foi extraordinária. Em certo sentido ultrapassa aquela que se verificou a propósito da questão judaica porque os motivos invocados aqui são mais racionais que os referentes àquela questão” (Ver: Henri Fesquet). O dogmatismo doutrinal erguia-se com “toda a sua força, temível e temida”. A minoria tentava opor antigos textos pontifícios, ou brandir a ameaça do laicismo ou do indiferentismo.

O peso do passado erra terrivelmente duro e foi necessário que a obstinação dos teólogos mais abertos se conjugasse com o instinto pastoral dos bispos e a firme vontade do Papa Paulo VI para chegar ao fim de todas as resistências. Dois libelos circulavam na assembleia, datados do dia anterior. Vinham “do famoso «Coetus Internationalis Patrum»”. A maioria da assembleia mostrou-se extremamente compreensiva em relação à minoria. No entanto a comissão e o Papa Paulo VI fizeram grandes esforços para reunir os oponentes. 

LFS

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