Patriarca de Jerusalém e líderes cristãos a caminho do Cairo Os sinos das igrejas da Terra Santa irão tocar amanhã em memória de Yasser Arafat, durante o rito de sepultura na Muqata de Ramallah. O Patriarca de Jerusalém, D. Michel Sabbah, exprimiu as suas condolências e a sua solidariedade para com o povo palestiniano, antes de partir para o Cairo. O Chefe da Igreja Católica na Terra Santa lidera uma delegação composta pelos arcebispos anglicano e luterano de Jerusalém, a quem se deverá ainda juntar o representante da Igreja Ortodoxa em Jerusalém, para participarem nas cerimónias fúnebres de amanhã, na capital egípcia. D. Michel Sabbah, amigo pessoal do presidente palestiniano, disse à agência italiana Sir que “Arafat lutou pela independência e a liberdade do seu povo até obter de todo o mundo o reconhecimento de um Estado palestiniano”. Segundo o Patriarca, o mérito de Yasser Arafat foi o de ter compreendido “a dimensão universal da Palestina, por causa da presença de Lugares Santos do Cristianismo, Judaísmo e Islamismo”. Para o futuro, o responsável católico espera que se organizem eleições regulares, “para permitir a nomeação de um sucessor que leve por diante o projecto de um Estado palestiniano e que traga a paz à região”. Solidariedade As conferências episcopais da Inglaterra e da França já manifestaram a sua solidariedade para com os povos da Palestina e de Israel, fazendo votos para que o futuro da Terra Santa seja um “futuro de paz”. “Na morte de Yasser Arafat, líder histórico do povo palestiniano, o nosso pensamento vai para o futuro desse povo, para as suas aspirações e sofrimentos”, refere um comunicado assinado pelo arcebispo Jean-Pierre Ricard, presidente da Conferência Episcopal Francesa. “Rezamos ao Senhor para que no coração dos povos da Terra Santa surjam responsáveis que tenham a coragem política de conduzir o seu povo para a paz, uma paz na justiça, na reconciliação dos espíritos e dos corações”, acrescentam os bispos franceses. A Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales formulou votos de que o sucessor de Arafat “seja capaz de prosseguir os acordos para a justiça, paz e reconciliação”. O sepultamento no mundo islâmico No mundo islâmico não existe um ritual rígido para sepultar os mortos válido para todos os países, mas algumas indicações gerais são respeitadas. O corpo é deposto dirigido para o Leste, em direcção do sol nascente. Antes de ser sepultado, o defunto é lavado e envolvido num lençol sem costuras, que recorda o mesmo usado pelos peregrinos que visitam Meca “A morte para a teologia islâmica marca a conclusão da vida terrena da pessoa e a passagem para o paraíso, ao qual são destinados todos os muçulmanos. O sepultamento, portanto, deve levar em consideração a realidade da ressurreição do corpo”, afirma à agência Fides o Pe. Justo Lacunza, Reitor do Pontifício Instituto de Estudos Árabes e de Islamística. “A cerimónia de sepultamento é precedida normalmente pela leitura da Primeira Sura do Alcorão”, acrescenta. A norma que impõe que o corpo seja sepultado o mais rapidamente possível é muito recente e não é aplicada em todos os países islâmicos. Trata-se de uma regra introduzida pelos Wahabiti na Arábia Saudita.
