Bispo de Santarém condena violência contra mulheres

Santarém, 08 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo de Santarém, D. José Traquina, alertou hoje para o agravamento das dificuldades financeiras das instituições sociais da Igreja face ao contexto de guerra global, condenando ainda a persistência da violência contra as mulheres.
“Se antes da guerra do Irão, 30% dos Centros Sociais Paroquiais em Portugal já estavam com dificuldades económicas, com o aumento do preço dos combustíveis as instituições sociais ficam em maior dificuldade de gestão”, afirmou o prelado, que preside à Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana.
Na homilia da Missa do III Domingo da Quaresma, a que presidiu na Sé de Santarém, o responsável católico manifestou a sua proximidade a quem assume a direção destas respostas comunitárias essenciais em todo o país.
“Estamos solidários com todos os que vivem a preocupação da viabilidade da instituição social que assumiram dirigir em nome da comunidade local. Vamos acompanhar com interesse e com esperança”, sublinhou, numa intervenção enviada à Agência ECCLESIA.
A celebração coincidiu com o Dia Internacional da Mulher, data que o bispo diocesano enquadrou como um “sinal dos tempos”, considerando que a defesa dos direitos femininos, nascida na sociedade civil, tem na sua origem “a vontade de Deus”.
“A informação recente de que em Portugal, entre 2002 e 2025, foram assassinadas 709 mulheres faz-nos pensar que há muita educação e formação humana a promover para se conseguir uma sociedade pacífica e respeitadora”, sustentou D. José Traquina.
O prelado advertiu também para o impacto destruidor dos conflitos armados em curso, nomeadamente no Médio Oriente, lamentando a ineficácia do diálogo diplomático internacional perante os interesses instalados.
“O medo, a ambição de mais poder e o desejo imoderado de prestígio histórico leva à falta de bom senso, falta de moral, desvalorização da pessoa humana e da solidariedade”, denunciou o bispo de Santarém.
A Eucaristia assinalou a celebração do Domingo da Cáritas, em que o ofertório de todas as paróquias em Portugal reverte para a ação da rede católica de apoio aos mais vulneráveis, num tempo marcado pelo aumento da pobreza.
“É o Amor de Cristo, Bom Samaritano da humanidade, é o Amor-Cáritas que nos faz próximos de quem necessita de apoio”, declarou.
A partir do Evangelho deste domingo, que relata o encontro de Jesus com a mulher samaritana, D. José Traquina lembrou que a ação sociocaritativa salva do “ódio, do egoísmo e da indiferença”, evocando ainda o Papa Francisco e o Papa Leão XIV.
“Cáritas é também o nome da instituição diocesana que, em rede com a outras Cáritas Diocesanas e a Cáritas Portuguesa, responde às emergências e necessidades das pessoas”, concluiu.
OC
