Encontro sobre o impacto da pandemia envolveu padres das dioceses do Porto, Vila Real e Coimbra

Foto: Lusa/EPA

Porto, 20 Jan 2022 (Ecclesia) – A diretora da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP) disse hoje que a Saúde Mental “só é debatida quando há dados trágicos”, sustentando que esta tem de deixar de “ser tabu”.

“A Saúde Mental só é debatida quando há dados trágicos, por isso tem de deixar de ser tabu”, disse a professora Raquel Matos, docente no Centro Regional do Porto da UCP, num encontro online sobre o tema ‘Saúde Mental em tempo de pandemia’.

A iniciativa ‘Unus 2022’, promovida pela instituição académica, envolveu padres das dioceses do Porto, Vila Real e Coimbra.

Luísa Campos, da Faculdade de Educação e Psicologia da UCP, realçou durante os trabalhos que a “prestação de cuidados a idosos é um dos desafios sociais da Europa e Portugal”, apontando como prioridade “a formação profissional dos cuidadores”.

A docente apresentou o estudo sobre ‘Prestação de cuidados a idosos: Avaliação de necessidades de saúde mental no contexto da pandemia por Covid-19’ e sublinhou que é fundamental promover “a dimensão positiva” do ato de cuidar, porque quando se promove “o bem-estar” do cuidador e tem consequências positivas no “bem-estar das pessoas idosas”.

A intervenção destacou que, com a pandemia, se acentuaram as “sintomatologias da ansiedade, depressão e o luto socialmente não aceite no período Covid-19”.

Devido a estes fatores, o trabalho dos cuidadores “é essencial na ajuda aos idosos”, mas a formação nas equipas técnicas e auxiliares é “um fator primordial”

No painel moderado por Pedro Dias, diretor do Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH) da Faculdade de Educação e Psicologia da UCP, Joana Campos falou também sobre ‘Saúde Mental em Crianças e Jovens Portugueses em Acolhimento Residencial’.

A professora da Universidade do Porto salientou que “a família é o contexto privilegiado para a educação das crianças” e revelou que, em 2020, em Portugal, existiam “5787 crianças em acolhimento residencial”.

“A individualização dos cuidados, a prestação de cuidados de qualidade, a presença de irmãos na mesma casa, a integração escolar e a participação em atividades da comunidade” são aspetos positivos nesta caminhada.

No lado oposto surgem as “mudanças consecutivas de casa de acolhimento residencial” e a “alternância das figuras cuidadoras em acolhimento residencial”, frisou a investigadora.

“As necessidades das crianças que vivem em acolhimento residencial caracterizam-se pela sua complexidade, resposta precoce, sistemática, de proximidade e de qualidade”, acentuou Joana Campos.

O segundo painel do evento UNUS da Universidade Católica Portuguesa foi moderado por Raquel Matos, e teve como oradores o padre Alberto Mendes, da Ordem Hospitaleira de São João de Deus, e Alexandra Carneiro, da Faculdade de Educação e Psicologia da UCP.

Falando sobre ‘Hospitalidade para todos’, o padre Alberto Mendes realçou que “a técnica e a humanização” devem estar interligadas no serviço, só assim haverá “uma hospitalidade plus”.

“Fazer uso do coração e colocar mais coração nas mãos”, disse, convidando a “um processo dinâmico intergerações” que “é gerador de hospitalidade”.

O religioso da Ordem de São João de Deus apresentou também um decálogo da mudança de paradigma dos cuidados.

Já Alexandra Carneiro apresentou o projeto ‘Clínica Universitária de Psicologia’ (CUP) da UCP no Porto, nascido em 2007, que integra um serviço de consulta psicológica e permite também a realização de atividades de aproximação à prática profissional dos alunos de psicologia.

No final do evento os três bispos presentes (D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra; D. António Augusto de Azevedo, bispo de Vila Real; e D. Armando Esteves, auxiliar do Porto) foram unânimes em sublinhar “a relevância do tema abordado”, pela sua atualidade em tempo de pandemia.

Os responsáveis realçaram também que esta atividade aproxima a UCP às comunidades e à sociedade.

LFS/OC

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