Paolo Ruffini incentivou comunicadores e jornalistas católicos a serem «protagonistas de um novo humanismo»

Foto: Signis

Seul,  17 ago 2022 (Ecclesia) – O responsável pelo Dicastério para a Comunicação da Santa Sé alertou para o paradoxo atual das pessoas estarem “hiperconectadas mas, ao mesmo tempo, sozinhas”, falando no congresso da ‘Signis’, a Associação Católica para a Comunicação, em Seul.

“O problema está exatamente aqui: Quando não há mais comunicação, mas apenas conexão. Temos que nos questionar, fazer um exame de consciência pessoal e coletivo”, disse Paolo Ruffini, esta terça-feira, na abertura do Signis World Congress 2022, na capital da Coreia do Sul, informa o portal ‘Vatican News’.

Neste contexto, segundo o prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, também é preciso responder a algumas perguntas, nomeadamente: “Como é possível estar hiperconectado e terrivelmente sozinho ao mesmo tempo falta de tempo? O que falta na nossa conexão para preencher essa solidão?”

“A única maneira de responder ao desafio da tecnologia é não pensar nela como um ídolo, nem a demonizar. Não acreditando que lhe é confiada a tarefa de redimir a humanidade, nem pensar que é a sua perdição”, acrescentou.

‘Paz no mundo digital’ é o tema do Signis World Congress 2022, o congresso mundial da Associação Católica para a Comunicação, que mobiliza cerca de 300 participantes de 31 países, desde segunda-feira, e termina esta quinta-feira, 18 de agosto, na Universidade de Sogang, em Seul.

Paolo Ruffini, jornalista profissional desde 1979, lembrou que há coisas que a tecnologia não pode substituir, como “a liberdade, o encontro das pessoas, a conversão, a engenhosidade, o amor gratuito”, e salientou que o trabalho do homem e sua criatividade, artística e técnico-científica “são uma característica divina, um sopro divino”.

O prefeito do Dicastério para a Comunicação, o primeiro leigo a dirigir um “ministério” na Cúria Romana, nomeado por Francisco a 5 de julho de 2018, recordou que “comunidades de redes sociais não são, automaticamente, sinónimos de comunidade”, citando a mensagem do Papa para o 53.º Dia Mundial das Comunicações Sociais (2019).

No contexto do congresso, o Papa enviou uma mensagem à associação católica de comunicação ‘Signis’, destacando o papel dos meios digitais para promover a paz.

“A revolução dos media digitais, das últimas décadas, mostrou ser um poderoso meio para promover a comunhão e o diálogo dentro da nossa família humana. De facto, durante os meses de confinamento devido à pandemia, vimos claramente como os media digitais podem unir-nos, não apenas divulgando informações essenciais, mas também preenchendo a solidão do isolamento e, em muitos casos, unindo famílias inteiras e comunidades eclesiais na oração e no culto”, escreveu Francisco, na mensagem divulgada a 18 de julho.

Segundo Paolo Ruffini, os comunicadores e jornalistas católicos devem ser “protagonistas de um novo humanismo”, diante da “difícil e grandiosa missão de comunicação”, devem “enriquecer” a sua comunicação, “criando um novo universo, guiado pelo Espírito Santo”, e construir projetos comuns.

Sobre a ‘Signis’, o orador destacou que pode ser, cada vez mais, “um sistema arterial da comunicação mundial ao transmitir a verdade”, no respeito de todas as culturas, mediante uma comunicação confiável e crível, “deve ser uma rede que une, liberta, entrelaça a verdade, a fé e a esperança”, e ajudar a Igreja a tecer uma rede que “não seja apenas uma conexão, mas traduza a mensagem evangélica ao mundo”.

Do congresso destaca-se, por exemplo, a participação do Prémio Nobel da Paz 2021, o jornalista Dmitry Muratov, um dos fundadores do ‘Novaya Gazeta’ na Rússia, e um “Fórum Internacional da Juventude”, uma iniciativa paralela de jovens comunicadores.

CB/OC

Comunicação Social: Papa destaca papel dos meios digitais para promover a paz, recordando experiência da pandemia

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