Carmo Fernandes, dos Leigos para o Desenvolvimento, e Pedro Góis, da Universidade de Coimbra, abordam desafios que inspiram celebração do III Dia Mundial dos Pobres

Lisboa, 16 nov 2019 (Ecclesia) – A diretora-executiva dos Leigos para o Desenvolvimento, Carmo Fernandes, afirmou que o combate à pobreza exige o protagonismo das populações mais desfavorecidas, capacitando-as para a mudança.

“Quem vive a condição de pobreza não é um incapaz, pelo contrário”, disse a responsável à Agência ECCLESIA, numa entrevista a respeito do III Dia Mundial dos Pobres, que a Igreja Católica assinala este domingo, por iniciativa do Papa Francisco.

Os Leigos para o Desenvolvimento (LD) enviaram em 2019 novos voluntários para missões de promoção social, em Angola, São Tomé e Príncipe e Portugal; a organização trabalha há mais de 30 anos “em prol do desenvolvimento integral e integrado”.

Carmo Fernandes afirma que, nestas três décadas, houve “mudanças” no perfil da pobreza, realçando a necessidade de fazer um “caminho conjunto” com os pobres, para identificar as necessidades localmente, num trabalho à “escala micro, na relação direta com as pessoas”.

“Nós não olhamos para a pessoa que vive a condição da pobreza como alguém que não tem iniciativa sobre a sua vida, que está apenas dentro dos diagnósticos da carência”, de rótulos ou preconceitos, precisa.

A diretora-executiva dos Leigos para o Desenvolvimento, ONGD católica, considera que ps pobres são os “agentes da mudança” e as organizações que trabalham com eles devem ser “facilitadores dos processos”, num investimento a longo prazo.

“Muitas vezes, sentimos que somos portadores de esperança”, realta.

Em Portugal, os LD promovem um ‘Projeto de Emporwerment das Mulheres, com vista a uma maior integração socioeconómica das mesmas e das suas famílias’, na Caparica-Pragal (Diocese de Setúbal), onde os voluntários vivem 24 horas por dia.

“Ainda estamos a descobrir como é que se é missionário, cá”, admite Carmo Fernandes.

A responsável sustenta que ninguém deve ver a pobreza como “uma fatalidade”.

“É importante trabalhar não só os indivíduos, na sua condição de fragilidade, mas também trabalhar as suas comunidades”, sem receitas pré-definidas, conclui.

O professor Pedro Góis, da Universidade de Coimbra, responsável pelo Estudo ‘Casa Comum – Migrações e Desenvolvimento em Portugal’, promovido pela Cáritas Portuguesa, considera, por sua vez, que o país tem um “Estado Social fraco”, pelo que se exige uma maior intervenção da sociedade no seu todo.

“Há momentos em que nos agigantamos, mas no dia a dia precisamos de fazer mais, sem dúvida”, aponta.

Uma das prioridades, realça o sociólogo, é “influenciar políticas públicas” que possam mitigar as desigualdades, como sociedade.

“Em geral, há uma indiferença, construímos que nos protege e que nos faz não olhar para o sem-abrigo, na rua, para o mendigo”, lamenta.

O especialista em migrações internacionais deseja que o III Dia Mundial dos Pobres ajude a refletir, também, sobre os riscos do populismo e da xenofobia.

“O ódio vem do nada”, adverte.

A celebração do III Dia Mundial dos Pobres acontece este ano a 17 de novembro, penúltimo domingo do calendário litúrgico católico.

À Imagem dos anos anteriores, o Papa vai almoçar com um grupo de 1500 pobres, no auditório Paulo VI, do Vaticano, após a Missa na Basílica de São Pedro.

LS/OC

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