Assistente social portuguesa foi declarada venerável pelo Papa Francisco em 2013

Lisboa, 30 de out 2019 (Ecclesia) – O padre Samuel Guedes, diretor da Fundação Canónica Sílvia Cardoso e vice-postulador da causa de canonização da assistente social, que o Papa Francisco reconheceu como “venerável”, elogiou o seu pioneirismo na “formação laical e promoção do apostolado”.

“Teve a preocupação da formação dos leigos: criou casas, dedicou-se a juntar homens e mulheres em retiros para que as pessoas se convertessem. A sua vontade era ajudar o caminho da conversão. E na diocese do Porto surgiram leigos com capacidade de intervenção”, explica à Agência ECCLESIA o responsável.

Nascida em Paços de Ferreira a 26 de julho de 1882, Sílvia Cardoso Ferreira da Silva foi uma assistente social portuguesa, reconhecida pela ajuda aos mais carenciados; a 27 de março de 2013 o Papa Francisco declarou-a “venerável” pelas suas virtudes cristãs, mas a fama de santidade vem de longe.

O padre Samuel Guedes dá conta do testemunho de “algumas pessoas que ainda privaram com ela” e destacam o “carinho” de a terem conhecido, sublinhando a fala de santidade nos habitantes de Paços de Ferreira.

“Sendo ela de uma família abastada, lembram-se de Sílvia andar com os pais a pedir nas feiras para as obras caritativas”, indica o também diretor da Fundação Sílvia Cardoso.

A formação laical e a caridade marcam a vida desta mulher oriunda de uma família católica e prometida ao casamento, perde o noivo.

“O noivo, Acácio, morreu numa viagem ao Brasil mas ela herdou os bens, ajudando os outros. Dedicou ao hospital da sua terra, foi a grande obra na sua terra”, recorda o sacerdote.

Em 1917, “a 1 de abril, na casa das irmãs Doroteias, fez um retiro, e faz a sua consagração ao apostolado e Coração de Jesus. Até à sua morte foi desenvolvendo as casas que criou, ajudou vários bispos e foi pioneira da Ação Católica”, indica o vice-postulador.

O padre Samuel Guedes, é o Ecónomo da Diocese do Porto (Foto João Lopes Cardoso)

“Todos dizem que ela é santa. Esperamos a sua canonização, mas o coração popular chama santo àqueles que o marcam”, sublinha o sacerdote.

A conversão das pessoas era o que movia Sílvia Cardoso que se aproximava do sofrimento das pessoas.

“Ela sentia muito bem o sofrimento das pessoas. Ela encontrou um senhor que chorava muito e perguntou-lhe porquê. Ele revelou que era funcionário público e tinha desviado uma quantia de dinheiro e seria preso. Ela não o deixou. Foi com o senhor a sua casa e, sendo de família de bens, foi pedir dinheiro para emprestar. Ela ajudava as pessoas e não se importava nem esperava retribuição. Isso é visível em várias circunstâncias”, recorda o vice-postulador da Causa.

A entrevista ao padre Samuel Guedes pode ser escutada esta noite, no programa Ecclesia na Antena 1; ao longo desta semana, em que se celebra a solenidade de Todos os Santos, o programa da Igreja Católica vai destacar algumas vidas de santidade.

PR/LS

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