Instituição quer investir na área digital, «que está a falhar para as pessoas mais velhas», e na sensibilização da saúde mental

Lisboa, 21 jul 2021 (Ecclesia) – A Fundação São João de Deus está a promover o “envelhecimento ativo” da população mais idosa com o Projeto ‘Somos por si’ que incentiva à sociabilização, a aquisição de novas competências, e protege a saúde mental e física.

“É um projeto que ganha um relevo com a pandemia e um impacto nesta comunidade que esteve afastada durante um ano e meio da sociedade, esteve fechada em casa”, disse Sandra Silva, em entrevista à Agência ECCLESIA.

A coordenadora da delegação da fundação em Lisboa adianta que há uma agenda de atividades, como visitas a museus, trabalhar com croché, oficinas de informática, oficinas de inclusão digital, oficinas criativas, de escrita criativa.

“Estamos com uma agenda cheia para ir ao encontro das necessidades que encontramos nas pessoas que estiveram fechadas em casa este tempo todos e precisam destes momentos e destes espaços de socialização”, assinalou.

Segundo Sandra Silva, após uma “auscultação às pessoas”, a Fundação São João de Deus manteve “um contacto regular telefónico” com as pessoas durante a pandemia, procurando perceber o que estas gostariam de fazer.

“A maior parte das pessoas pediam muitas visitas culturais, acabamos por trazer as oficinas de informática e inclusão digital porque assim que a pandemia começou percebemos que muitas pessoas não tinham internet, mesmo tendo internet não sabiam utilizar o seu smartphone, os filhos deram, mas não explicaram como utilizar os serviços online”, desenvolveu a convidada da emissão desta quarta-feira do Programa ECCLESIA (RTP2).

A responsável adianta que a instituição está a preparar uma nova candidatura para “investir muito nesta área digital” porque é aquela que está a “falhar para as pessoas mais velhas”.

O ‘Somos por si’ está aberta à comunidade e os organizadores privilegiam os seniores, sendo que a média de idades se situa entre os 70 e 75 anos, mas também têm participantes dos 85 aos 89 anos de idade.

“O que eu vejo é um sorriso, neste momento, a reação é de felicidade, de estar com o outro. Os grupos têm limite de inscrições, mas qualquer pessoa é bem-vinda a participar nestes eventos”, assinalou a entrevistada.

Este programa nasceu em 2013, como forma de “agradecimento aos benfeitores”, às pessoas que apoiam os irmãos de São João de Deus e o trabalho que é realizado em Portugal na área da saúde mental

“A partir de setembro vamos iniciar com sessões de sensibilização até para as pessoas estarem atentas aos sinais, e poderem agir com antecedência”, acrescentou.

Sandra Silva explica que no caso das pessoas mais velhas dizem que é normal estarem tristes, mas “não é normal” estar assim “durante duas semanas contínuas” e isso é um “sinal de alerta”.

PR/CB/OC

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