Pedro Varandas, da comissão científica do encontro, apresenta iniciativa promovida pelas Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e o Instituto São João de Deus
Lisboa, 14 abr 2026 (Ecclesia) – O Centro Ismaili, em Lisboa, vai receber, entre quarta e sexta-feira, o XV Congresso de Psiquiatria S. João de Deus, que procura conhecer o impacto da revolução tecnológica na saúde mental e nos cuidados a doentes.
Em entrevista ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje, na RTP2, Pedro Varandas, da Comissão Científica do congresso, explica que o tema do encontro – “Saúde Mental e Pós-Modernidade: O Analógico e o Digital” – teve por base dar ênfase a este dois pontos.
“Por um lado, tentar falar e perceber também, na discussão que vamos tendo durante o Congresso, de que maneira a revolução tecnológica está a afetar a saúde mental, está a afetar e a modelar o sofrimento psicológico, eu diria até, de alguma maneira, a dar início a formas de sofrimento psicológico ou doenças que nós não tínhamos no passado”, afirmou.
Por outro lado, acrescenta o diretor clínico da Casa de Saúde da Idanha, em Sintra, o congresso visa perceber “como é que a tecnologia existente” pode ajudar no “tratamento das pessoas com doença mental”, sejam novas formas de sofrimento psicológico como as já conhecidas.
Pedro Varandas observa que a transformação tecnológica está a ser vivida de forma diferente do que foi no passado, falando no efeito nas novas gerações e nas relações por eles desenvolvidas.
“A dimensão da ansiedade nos jovens, que tem sido escrita amplamente pela literatura científica e toda a outra literatura mais comum, é qualquer coisa que nos está a espantar neste momento”, salientou.
O entrevistado apontou também o “isolamento social”, a “depressão” e a “formulação de lógicas de pensamentos nos mais novos que não era comuns no passado”.
Promovido pelo Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e o Instituto São João de Deus, o XV Congresso de Psiquiatria vai reunir profissionais de diferentes áreas.
“Hoje, o tratamento do sofrimento psicológico e das doenças mentais é feito em equipa. Os médicos e os enfermeiros eram, tradicionalmente, quem mais participava no tratamento”, disse Pedro Varandas.
No entanto, desenvolve, “vieram-se juntar psicomotricistas, terapeutas ocupacionais”, “psicólogos”, realçando que “essas equipas multidisciplinares são hoje a frente de batalha” nos cuidados a doentes.
O encontro conta também com a presença de gestores, “fundamentais”, segundo o diretor clínico da Casa de Saúde da Idanha, e decisores, responsáveis por determinar “políticas públicas de suporte a todo o acompanhamento”, cuidado e “tratamento” de pessoas.
O programa inclui, na sexta-feira, uma tertúlia com o título “Futuro do Cuidar: Onde se encontram Ciência, Espiritualidade e Hospitalidade?”, reunindo vários intervenientes.
“Há sempre um lugar para estas dimensões, como sempre houve no passado. Naturalmente, o que queremos aqui é olhar para estas dimensões no momento presente em que a revolução digital transformou a vida e a relação das pessoas umas com as outras”, disse.
Pedro Varandas refere que a discussão, orientada pelo jornalista José Gabriel Quaresma, vai permitir, de alguma maneira, “gerar questões, não soluções”, para “todos os que estão presentes no Congresso saírem, pelo menos, com algo para pensar” e que futuramente poderá dar lugar a ideias e novas formas de pensamento.
O membro da Comissão Científica do congresso ressalta que a ideia de que a revolução tecnológica não é necessariamente “uma coisa má”.
“Temos que olhar sempre de uma forma positiva e, de alguma maneira, dar o substrato ético que a revolução tecnológica nos está a trazer, para que os bons caminhos se possam fazer na ajuda às pessoas”, indicou.
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