Secretário especial do Sínodo 2018 sublinha necessidade de se deixar questionar pelas novas gerações

Foto: DNPJ

Fátima, 25 set 2019 (Ecclesia) – O padre salesiano Rossano Sala, secretário especial do Sínodo 2018, disse à Agência ECCLESIA que o recente trabalho de auscultação e juventude mostra que é urgente promover projetos “com os jovens”, em vez de “para os jovens”.

“Antes de falar aos jovens, é preciso falar com os jovens. Antes de dizer aos jovens para onde devem ir, caminhar juntamente com os jovens. Por exemplo, uma das experiências pastorais mais interessante, que está a ter uma bela redescoberta nos nossos dias, é o tema, a prática da peregrinação. O que é a peregrinação? É uma Igreja que caminha”, precisou o religioso, conferencista num encontro nacional de formação para os secretariados nacionais da Pastoral Juvenil, Vocacional e do Ensino Superior, a decorrer em Fátima.

A assembleia do Sínodo dos Bispos que o Papa convocou para outubro do último ano abordou o tema ‘Juventude, Fé e Discernimento Vocacional’.

“O Sínodo foi uma grande experiência de envolvimento dos jovens. Acima de tudo, isto é, mais do que um novo paradigma, a redescoberta de um antigo e fecundo paradigma: antes de fazer pastoral para os jovens, é decisivo fazer pastoral com os jovens”, indica o secretário especial da assembleia de 2018.

Desde o início, o Papa e a organização do Sínodo pensaram em envolver os jovens, a começar pelo questionário online ou a reunião pré-sinodal com 300 jovens de todo o mundo, que trabalharam durante uma semana, em Roma.

“Antes de pensar no que temos a fazer, temos de pensar em como viver juntos. Diria que houve uma conversão da pergunta, durante o Sínodo. Partimos desta ideia: que devemos fazer para os jovens. No fim, chegamos a «quem devemos ser com os jovens»”, realça o padre Rossano Sala.

O religioso admite que a parte mais difícil do Sínodo é “a sua receção” e fazer que se “torne vida nas Igrejas particulares”.

Para os jovens, precisa o professor de Pastoral Juvenil, a Igreja deve ser uma “profecia de fraternidade”, com realidades eclesiais “onde os jovens se sintam em casa”, admitindo que nalgumas dioceses “pouco ou nada” foi feito para “rejuvenescer a Igreja com os jovens”.

Um percurso que vai para além de momentos especiais e se transforma numa “proximidade” constante, no dia a dia das novas gerações.

“Acompanhamento significa, acima de tudo, um estilo. Os padres sinodais e também o Papa, na [exortação] «Christus Vivit», retomaram a grande imagem bíblica que foi escolhida, a dos discípulos de Emaús: um caminho que Jesus, antes de mais, percorre o caminho com dois discípulos, não dando atenção para onde se vai, mas dando atenção à escuta destes discípulos”, indica o padre Rossano Sala.

A Igreja Católica em Portugal está particularmente empenhada na preparação da primeira edição internacional da JMJ em território nacional, “três anos de trabalho para uma semana com os jovens”.

O religioso salesiano salienta que organização de uma Jornada Mundial da Juventude, como a de Lisboa em 2022, “é uma forma de serviço que se dá à Igreja universal” e também “motivo para envolver, tornar verdadeiramente una e participante toda a Igreja em Portugal”.

‘Acompanhar os Jovens, hoje: Uma proposta formativa a partir do Sínodo’ foi o tema da formação orientada padre Rossano Sala, numa iniciativa que decorre até sexta-feira na Casa Nossa Senhora das Dores, em Fátima.

PR/OC

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