Igreja/Portugal: «Que o muito que semeou dê fruto e fruto abundante», afirmou D. Bispo de Beja na Missa das exéquias de D. António Vitalino

Funeral realizou-se na paróquia de Parada de Gatim, na Arquidiocese de Braga

Foto Diocese de Beja

Parada de Gatim, Braga, 10 out 2026 (Ecclesia) – O bispo de Beja presidiu hoje à Missa das exéquias de D. Vitalino Dantas, que faleceu na última sexta-feira, agradeceu o “bem feito” pelo seu antecessor na diocese alentejana, e desejou que o seu trabalho “dê frutos abundantes”.

A Missa das exéquias e o funeral decorreram na Paróquia de Parada de Gatim, na arquidiocese de Braga, região de onde é natural D. António Vitalino Dantas, que foi bispo de Beja entre 1999 e 2016, depois de ter sido nomeado bispo auxiliar de Lisboa em 1996.

“Damos graças a Deus por todo o bem feito por D. António Vitalino e pedimos pelos bons frutos do seu trabalho apostólico – que o muito que semeou dê fruto e fruto abundante”, afirmou D. Fernando Paiva, na homilia da Missa das exéquias.

“A sua morte não é um ponto final: é passagem, é encontro com a plenitude, é entrega nas mãos do Pai que o chamou a dedicar-lhe inteiramente a sua vida”.

Na Missa das exéquias, D. Fernando Paiva lembrou que “a morte, para quem viveu unido a Cristo, não é o fim, não é um vazio, mas um encontro”, o que dá “consolo e esperança” a quem vive momento de separação e de saudade.

D. Fernando Paiva agradeceu à família de D. António Vitalino Dantas ter acompanhado o anterior bispo de Beja “com tanta dedicação e carinho”, evocando a sua “dedicação ao serviço da Igreja”.

“Rezemos para que o Senhor o acolha no Seu amor misericordioso e derrame sobre nós a Sua consolação e a Sua esperança. E peçamos também que nós, ainda a caminho, saibamos viver inspirados no seu testemunho: servindo com generosidade a Igreja e permanecendo na comunhão com Deus e com os irmãos, pela graça da caridade, simbolizada no traje nupcial a que se refere Jesus, no Evangelho”, afirmou D. Fernando Paiva.

PR

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Nascido a 3 de novembro de 1941, em Oleiros, Vila Verde (Braga), D. António Vitalino teve como primeiras experiências as Ordens Franciscanas – os Frades Menores e os Capuchinhos -, seguindo-se o seminário Carmelita da Falperra, em Braga, onde entrou em 1957.

O bispo fez o noviciado em Longra-Douro (Felgueiras), em 1960-61, a profissão simples em 8 de setembro de 1961 e a solene em 10 de julho de 1965, segundo a diocese de Beja, tendo realizado estudos de Filosofia/Teologia no Instituto “Sedes Sapientiae” dos Padres Dominicanos, em Fátima, de 1961 a 1966.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, em 2018, a propósito de 50 anos de sacerdócio, o religioso da Ordem do Carmo lembrou que, depois do noviciado, pediu para ir para a Alemanha, explicando que “no Concílio Vaticano II os teólogos alemães se tinham distinguido muito”.

Foi neste país que terminou os estudos nas Universidades de Mogúncia e de Friburgo da Brisgóvia, que frequentou a partir de 1966.

Enquanto estudava Teologia, descobriu os emigrantes, assistiu “às primeiras grandes levas” de portugueses para as “grandes fábricas alemãs”, e isso foi “providencial” para descobrir que a sua vocação “era mais entre o povo, era pastoral”.

D. António Vitalino foi ordenado sacerdote a 3 de agosto de 1968, no Santuário do Sameiro (Braga), por D. António Ribeiro, então Bispo Auxiliar de Braga.

O trabalho na pastoral dos migrantes na Alemanha, onde esteve 10 anos, levou-o a fundar e depois exercer o cargo de diretor e chefe de redação do jornal ‘Diálogo do Emigrante’, que ainda hoje se publica com o título ‘Diálogo Europeu’, indica a Diocese de Beja.

O bispo exerceu vários cargos na Ordem do Carmo, a que pertencia, e por três vezes foi eleito Comissário da Ordem em Portugal.

D. António Vitalino regressou a Portugal em 1976 e foi para a Paróquia de Santo António dos Cavaleiros, em Loures; passados 20 anos foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa, a 3 de julho de 1996, tendo a ordenação episcopal acontecido quando tinha 54 anos, a 29 de setembro de 1996, na igreja do Mosteiro dos Jerónimos.

A 25 de janeiro de 1999, o então Papa João Paulo II nomeou-o bispo de Beja; a entrada solene realizou-se dia 11 de abril de 1999, uma região onde a Ordem Carmelita está desde o século XIII.

A 10 de outubro de 2014, o Papa Francisco nomeou D. João Marcos como bispo coadjutor da Diocese de Beja, a pedido de D. António Vitalino que manifestou necessidade de um bispo coadjutor a quem confiar essa missão quando atingisse os 75 anos, deixando este papel em novembro de 2016.

Segundo a Diocese de Beja, após a resignação residiu alguns anos na Casa de São Nuno em Fátima, em comunidade com os seus Irmãos Carmelitas, estando nestes últimos anos com a sua família em Parada de Gatim, concelho de Vila Verde.

LJ/PR

Igreja/Portugal: Faleceu D. António Vitalino, bispo emérito de Beja

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