Bispos diocesanos apelaram à partilha com quem precisa no contexto do Dia Cáritas

Foto João Lopes Cardoso

Lisboa 07 mar 2021 (Ecclesia) – As Missas de domingo celebradas pelos bispos diocesanos de Portugal assinalaram o Dia Cáritas, que hoje se celebra, e a importância da visita que o Papa Francisco está a fazer ao Iraque, entre os dias 5 e 8 de março.

O bispo do Algarve referiu-se à viagem “histórica e emblemática” do Papa, valorizada também pela “mensagem que está a semear naquela terra”, e à conclusão da Semana Cáritas, nos 65 anos da rede que constitui em Portugal, nas várias dioceses e paróquias.

“Queremos fazer parte daqueles que amam, daqueles que colaboram e participam no combate contra a pobreza e a transformação social”, afirmou D. Manuel Quintas

O bispo de Aveiro recordou no início da Eucaristia a visita do Papa ao Iraque, referiu-se ao “martírio, dificuldades e sofrimento” dos cristãos iraquianos e desejou que a visita de Francisco tenha frutos de “convivência, liberdade e justiça”.

D. António Moiteiro aludiu também ao encerramento da Semana Cáritas, afirmando que a “a caridade não termina” e pedindo que se continue a ter “muito presente os que sofrem, os irmãos mais pobres e os que mais precisam”.

O arcebispo de Braga expressou votos de “bons resultados” da viagem do Papa Francisco ao Iraque, realizada sem olhar a riscos mas determinada pela vontade de “levar a paz a um país que tem vivido em guerra e tem perseguido os cristãos”, e disse que,  a respeito da pobreza, a “situação é grave e com tendência para se agravar ainda muito mais”, a reclamar atenção a quem possa estar a precisar.

“Vamos ter necessidade de um verdadeiro combate à pobreza e à exclusão social que daí vai surgir, porque não podemos permitir que ninguém sofra por falta de pão e do que é essencial para viver”, afirmou D. Jorge Ortiga.

O bispo de Coimbra disse que a visita do Papa ao Iraque é “um gesto e um sinal” de quem “dá a vida”, numa visita considerada “a mais perigosa e mais complicada”, até do ponto de vista físico, determinada pela “construção da paz que se sobrepõe a todos os tipos de calculismo”.

Na Arquidiocese de Évora, D. Francisco Senra Coelho presidiu à Missa no Convento da Cartuxa, na celebração de acolhimento das comunidade religiosa feminina Servas do Verbo Encarnado, que vai habitar nesse ambiente conventual, e afirmou que “todas as religiões são caminhos de paz, de respeito e humanização”.

O arcebispo de Évora recordou o momento “corajoso, histórico e profético” que define a viagem do Papa Francisco ao Iraque, país onde está também a congregação religiosa que passará a realizar trabalho pastoral em Évora, como uma “inesquecível viagem”.

No Funchal, D. Nuno Brás presidiu à Missa que assinalou o Dia Cáritas, na Igreja Colégio, onde foi homenageado o bispo emérito D. Teodoro de Faria, que fundou a Cáritas Diocesana do Funchal há 38 anos, e Maria José Castro, voluntária no ativo há mais tempo na instituição.

“Queremos dar graças a Deus pelo caminho que esta instituição percorreu ao longo de todos estes anos. Queremos dar graças a Deus por quantos nela colaboraram e trabalharam, e pela ajuda que a Cáritas constituiu na vida de tantos, espalhando o amor que transforma, por dentro, os indivíduos, as famílias, a inteira sociedade”, afirmou D. Nuno Brás.

De acordo com o Jornal da Madeira, a homenagem constituiu uma forma de “louvar todo o empenho do bispo emérito pela fundação da Cáritas na Madeira a 25 de março de 1983” e também “à voluntária mais antiga da instituição”, em representação de todos os colaboradores, afirmou, Duarte Pacheco presidente da Cáritas do Funchal.

O bispo de Leiria-Fátima, agradeceu “toda a dedicação” dos colaboradores da Cáritas Diocesana e valorizou a “obra de bem e de amor que a Cáritas tem realizado”, quer ao nível nacional quer em cada diocese, nomeadamente nos “tempos difíceis” por causa da pandemia.

“Quem se inclina diante de um irmão para o servir faz um gesto sacerdotal”, disse o cardeal D. António Marto apelando à ajuda de todos para com o trabalho da Cáritas, que se torna mais necessário no tempo de pandemia devido ao necessário “acolhimento e apoio às pessoas e famílias que se encontram em condições económicas e sociais precárias, difíceis”.

O cardeal-patriarca de Lisboa referiu-se à visita do Papa ao Iraque e afirmou que Francisco quis ir ao encontro de um povo martirizado, onde a “cruz é mais dura” para os “poucos cristãos” e homens e mulheres de outras religiões.

D. Manuel Clemente evocou também a “caridade ativa” que é concretizada pela Cáritas, “diocese a diocese” e na sua expressão nacional e internacional, e o que “ela tem feito para que esta atividade do amor, que é a alma do templo de Cristo, aconteça”.

O bispo de Santarém, presidente da Comissão Episcopal Pastoral Social e Mobilidade Humana, que coordena a ação da Cáritas na Conferência Episcopal Portuguesa, referiu-se à peregrinação do Papa “por terras do Iraque, numa presença histórica, de grande proximidade e de grande esperança para os cristãos daquelas comunidades e para a paz daquela região e do mundo”, e valorizou a ação da Cáritas como expressão eclesial em santidade e fidelidade.

“65 anos, Cáritas, um amor que transforma”, mas que nos transforma a nós próprios, que nos transfigura, que vence o que de natural surge em nós de egoísmo, de centralismo pessoal”, afirmou, valorizando o trabalho dos colaboradores da rede Cáritas, em todo o país, e os projetos que fazem parte da sua história.

Em Setúbal, D. José Ornelas referiu-se à Cáritas como uma “organização que em cada diocese e em todo o mundo recorda e ajuda a praticar o bem em favor de quem precisa como uma das dimensões basilares da fé”.

“A Cáritas pretende ser e é chamada a ser, em cada diocese, em cada paróquia, em cada coração, a consciência prática de olhar para quem precisa com caridade, isto é, com amor”, disse o bispo de Setúbal, agradecendo o trabalho de todos os colaboradores da instituição.

O bispo de Vila Real celebrou a Eucaristia “em comunhão com o Papa Francisco” e a sua visita pastoral ao Iraque, que considerou um “grande sinal de paz e de reconciliação para aquela zona do mundo”, e agradecendo o trabalho da Cáritas.

“Damos graças a Deus pelo trabalho da Cáritas em todo o país, em todo o mundo e sobretudo nesta diocese e sensibilizamos a todos para a necessidade de ajudar a Cáritas para que ela possa ajudar melhor as pessoas carenciadas”, afirmou D. António Augusto Azevedo.

Na Missa presidida pelo bispo de Viseu Viseu, foi evocado o trabalho da Cáritas e a intenção de acompanhar a peregrinação do Papa nas terras de Abraão, com D. António Luciano a pedir os “bons frutos” da viagem do Papa”.

Termina este domingo a Semana Cáritas, este ano com atenção reforçada aos efeitos da pandemia e um peditório online, destinado às respostas solidárias da organização católica, e assinalando os 65 anos da organização católica, com o tema “Cáritas, o amor que transforma”.

Face à ausência de uma das principais fontes de angariação das 20 Cáritas Diocesanas que compõem a rede nacional, foi lançado um peditório online.

(Notícia atualizada às 21h20)

PR

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