Investigadora escreveu «biografia pastoral» do patriarca de Lisboa

Lisboa, 06 abr 2022 (Ecclesia) – Paula Borges Santos escreveu uma “biografia pastoral” de D. António Ribeiro, patriarca de Lisboa de 1971 a 1998, destacando uma figura pessoa que cultivava “grande proximidade com as populações”, e foi “muito bem-sucedido” na consolidação da democracia.

“D. António Ribeiro tem a capacidade de estabelecer um novo relacionamento com o poder político português, sob orientação também da Santa Sé, foi muito acompanhado por Paulo VI nos primeiros anos da democracia, e depois João Paulo II, e ajuda a estabelecer um novo paradigma de separação em Portugal, e perdura até hoje”, disse a investigadora à Agência ECCLESIA.

Paula Borges Santos salienta que o 15.º patriarca de Lisboa foi “muito bem sucedido, também nos anos de consolidação da democracia”, observando que o “afastamento em relação ao poder político” foi um processo que “começou ainda nos anos finais do regime anterior”.

A entrada solene patriarca aconteceu no dia 21 de novembro de 1971; D. António Ribeiro foi uma presença assídua na RTP, entre 1959 e 1967, primeiro no programa ‘Encruzilhadas da Vida’, seguindo-se ‘Dia do Senhor’ (1964-67).

A investigadora principal do Instituto Português de Relações Internacionais da NOVA FCSH refere que todo o seu episcopado “é marcado por uma grande fidelidade às orientações pontifícias”, primeiro com Paulo VI e depois com João Paulo II.

“Este nível mais internacional de ligação à Santa Sé vai determinar uma série de orientações para o conjunto da Igreja nacional”, explicou, no programa ECCLESIA transmitido hoje na RTP2.

D. António Ribeiro, acrescenta, “colabora de uma forma bastante dialogante” com os outros bispos, “nunca procurando um destaque pessoal, exercer uma liderança específica”, mas respeitando sempre o múnus de cada bispo, “sempre em grande colegialidade”.

Paula Borges Santos destaca que na sua investigação tentou demonstrar que o facto do patriarca de Lisboa, entre 1971 e 1998, ser uma pessoa mais reservada não prejudicou a sua ação pastoral, porque “cultivava uma proximidade grande com as populações”, com as comunidades.

“Isso traz-lhe uma vantagem de proximidade e de reconhecimento e de autoridade da parte dos crentes na Diocese de Lisboa, sobretudo nas zonas mais carenciadas da cidade e da região do Oeste, que facilita bastante aquela que até vai ser a forma como o vão acarinhar, como estabelecem uma relação afetiva entre crentes e patriarca”, desenvolveu.

A investigadora explicou que este trabalho, publicado pela editora da Universidade Católica Portuguesa, surgiu no âmbito dos 50 anos da entrada de D. António Ribeiro como patriarca na Sé, mas o interesse nesta figura revelou-se no início do ano 2000, quando fez um estudo sobre “o conflito na Rádio Renascença durante a transição para a democracia”.

“Fiquei fascinada com o que foi um homem que conseguiu lidar com um momento particularmente complexo de mudança de regime, de descolonização, e de uma Igreja em Lisboa particularmente dividida não só entre o clero mas também com fraturas entre leigos”, referiu.

  1. António Ribeiro faleceu no dia 24 de março de 1998, na capital portuguesa; nasceu em S. Clemente de Basto, na Arquidiocese de Braga, a 21 de maio de 1928.

HM/CB/OC

 

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