Igreja/Portugal: Acólitos, «servidores do silêncio», peregrinaram ao Santuário de Fátima

D. José Cordeiro destacou o silêncio de São José que «é operativo e eloquente»

Foto: Santuário de Fátima

Fátima, 01 mai 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade, da Igreja Católica em Portugal, disse que “especialmente os acólitos e as acólitas” são chamados “a ser servidores do silêncio”, na sua peregrinação nacional ao Santuário de Fátima.

“Todos nós, especialmente os acólitos e as acólitas, somos chamados a ser servidores do silêncio. Em primeiro lugar, nunca devemos por o nosso serviço, por mais zeloso que seja, à frente do encontro com Jesus. Aliás, todo o nosso serviço deve ser para Jesus e em seu nome”, disse D. José Cordeiro, hoje, na 30ª Peregrinação Nacional dos Acólitos.

“Nunca devemos ir diretamente para a sacristia para executarmos tarefas e funções, mas devemos sempre ter um momento orante de encontro com Jesus, no Sacrário, preparando-nos para O levarmos no coração durante o exercício do ministério, sobretudo na Eucaristia”, acrescentou na homilia da Missa, enviada à Agência ECCLESIA.

O presidente da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade, onde se insere o Serviço Nacional de Acólitos, indicou, em segundo, que o modo como preparam a celebração revela também se estão habitados pelo silêncio, e pediu que contrariem a “azáfama” e tenham “atitudes profundamente espirituais, vividas com inteireza”.

“Se entramos e saímos na Igreja vezes sem conta, a conversar, sem inclinar ao Altar, sem genufletir ao Sacrário, se provocamos risos e brincadeiras uns aos outros, se o turíbulo é para entreter, se distraímos quem está a rezar, se vestimos a alva a correr, então estamos a servir-nos do silêncio”, explicou.

“Também a forma como entramos e saímos do espaço litúrgico, o modo como caminhamos na celebração, os gestos com que servimos, a atenção que prestamos, a oração que fazemos a acompanhar toda a celebração manifestam o silêncio que nós incarnamos, como testemunho belo da alegria com que somos acólitos”, concluiu, salientando que “não se trata de cumprir exatamente e com retidão todas as rubricas”.

A Igreja Católica celebra, neste dia 1 de maio, a memória litúrgica de São José Operário e D. José Cordeiro, explicou que os acólitos e as acólitas, inspirados por este santo, “são chamados a ser o silêncio incarnado, concretizado, em gestos e palavras”.

“Tudo aquilo que dizemos e tudo o que fazemos, no exercício do ministério de acólitos, deve inspirar-se no silêncio, que não é ausência de ruído, que não é imobilismo, que não é passividade, que não é desconsideração, que não é alheamento, que não é simplesmente calar. O silêncio de São José é operativo e eloquente”, realçou.

O arcebispo de Braga destacou a Carta Apostólica ‘Patris Corde’, do Papa Francisco dedicada a São José, e a imagem de São José a dormir, uma “provocação” que ensina “o quão eloquente é o silêncio”.

A 30.ª Peregrinação Nacional dos Acólitos de Portugal realizou-se hoje, dia 1 de maio, com o tema ‘Acólitos com graça’, ao Santuário de Fátima; o programa contou ainda com um encontro festivo, a paramentação e terminou com a procissão eucarística e bênção no recinto de oração do santuário mariano.

“Estimados acólitos e acólitas, não viemos aqui para regressar a nossas casas iguais ou mais cansados, por tudo o que fizemos e conseguimos alcançar. Viemos e vamos para prosseguir o nosso caminho de discípulos de Jesus, em conversão contínua, para descobrirmos ou consolidarmos a nossa vocação e para caminharmos todos juntos no caminho da santidade”, concluiu D. José Cordeiro, na Missa que presidiu na Basílica da Santíssima Trindade.

CB/

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