Presidente dos IMAG (Institutos Missionário Ad Gentes) diz que é necessário avaliar o Ano Missionário valorizando o que foi feito e «pôr o dedo na consciência» pelo que ficou por fazer

Foto Agência ECCLESIA/MC

 

Lisboa, 04  out 2019 (Ecclesia) – O presidente dos Institutos Missionário ‘Ad Gentes’ (IMAG) afirmou é necessário valorizar o que foi feito no Ano Missionário e referir o que “não foi feito” e disse que a missão exige uma “reconfiguração quase radical”

“Requer-se uma nova configuração. Também os institutos têm de ser abanados! Também muitas folhas secas têm de cair e temos de avançar noutras direções: temos de valorizar muito mais as vocações leigas, as vocações temporária e outros tipos de vocação diferentes daquele tradicional, do sacerdote missionário ou da consagrada”, referiu o padre Adelino Ascenso.

Na entrevista à Agência ECCLESIA e à Renascença desta semana, no contexto do Mês Missionário Extraordinário convocado pelo Papa, para este outubro, e do encerramento do Ano Missionário, que se conclui no dia 20 deste mês, o presidente dos IMAG considerou que são precisas “novas atitudes”, valorizando a juventude.

“É muito difícil tomar novas atitudes, é muito difícil darmos lugar aos novos rebentos que querem ocupar o lugar dessas folhas secas”, sugeriu o padre Adelino Ascenso, comparando as estruturas da Igreja Católica às folhas secas de uma árvore que tem de ser abanada para cair.

Para o missionário, que é também o superior-geral da Sociedade Missionária da Boa Nova, é necessário “dar lugar à juventude, à sua rebeldia”.

“Penso que aí devemos ser muito bem abanados, sacudidos, para que possamos dar lugar à rebeldia da juventude”, afirmou.

O padre Adelino Ascenso considera que a atividade missionária da Igreja Católica na sua “essência é a mesma”, mas exige novas atitudes, concretizando um “exercício de inculturação” que pode perturbar os “parâmetros culturais e religiosos” instalados.

O presidente dos IMAG lembra que é necessário sair das “denominadas seguranças” e promover uma “igreja em saída” para as “periferias culturais e religiosas”, rejeitando a tendência para se tornar “num autêntico museu”.

“Quando entramos no campo do diálogo inter-religioso temos de ir predispostos à escuta, uma escuta com os ouvidos do coração”, sublinhou.

Questionado sobre o Ano Missionário que a Conferência Episcopal promoveu em Portugal, o padre Adelino Ascenso referiu que os propósitos, planos e concretizações devem dar lugar, no seu encerramento, à “mística da avaliação”.

“Às vezes somos um pouco pobres na avaliação e, quando avaliamos, normalmente avaliamos aquilo que fizemos, mas esquecemo-nos de avaliar aquilo que não fizemos”, advertiu o presidente dos IMAG, indicando que “cada um” deve colocar “o dedo nas consciência pelo que ficou por fazer”.

Para o presidente dos IMAG, partir em missão exige “sair do conforto”, descalçar “as pantufas”, calçar “as sandálias”, o que só é possível tendo a identidade missionária “cinzelada” no coração.

“Talvez ainda não sejamos verdadeiramente missionários, porque a nossa identidade de missão, essa consciência da nossa identidade, talvez ainda não esteja cinzelada no nosso coração”, considerou.

O presidente dos IMAG afirmou ainda na entrevista à Agência ECCLESIA e à Renascença que o “Ano Missionário” e a “vida missionária” não termina agora, antes é “para toda a vida” dos batizados.

“Este ano 2018/2019 é apenas um sinal que deve transpor-nos para 2020, 2021 e por aí fora. Isto não se pode esgotar num ano, nem se pode esgotar num único mês”, afirmou.

A entrevista ao padre Adelino Ascenso é emitida entre as 13h00 e as 14h00 na Renascença e publicada esta sexta-feira nas páginas da internet da Agência ECCLESIA e da Renascença.

Entrevista conduzida por Ângela Roque (Renascença) e Paulo Rocha (Agência ECCLESIA)

PR

Missão: «Temos de dar lugar à rebeldia da juventude» – Padre Adelino Ascenso

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