Ano especial vai assinalar 150.º aniversário da declaração de São José como padroeiro da Igreja universal

Foto: Agência ECCLESIA/SN

Lisboa, 09 jan 2021 (Ecclesia) – O padre Marco Luis, da Diocese de Setúbal, disse à Agência ECCLESIA que o “pontificado do Papa entende-se à luz de São José” e o ano dedicado a este santo pode levar a grande aprendizagem e maior devoção.

“A convocação deste ano não constituiu uma surpresa para mim porque o pontificado do Papa entende- se à luz de São José, iniciou a 19 de março, depois o Papa consagrou o Vaticano a São José e São Miguel e sua devoção, que deu a conhecer a imagem de São José que dorme e que ficou conhecido pelo mundo inteiro”, explica o sacerdote. 

O autor do livro “São José guarda-nos em Cristo” analisou a Carta Apostólica ‘Patris Corde’ (com coração de pai) que caracteriza como “pequena e extremamente simples”, dividida em sete características de São José enquanto pai de Jesus.

“O Papa nesta carta, logo no início, diz que durante estes meses de pandemia, a figura de São José foi-se tornando mais presente, tinha de ajudar a amar mais esta figura,  a descobrir e olhar verdadeiramente”, refere.

Na sua opinião a figura de São José, declarado como padroeiro da Igreja universal há 150 anos, “permanece escondido, desconhecido, até esquecido para muitos”.

Já para o entrevistado, o pai adotivo de Jesus tem um particular lugar na sua vida, dedicando-lhe “as Eucaristias de todas as quarta-feiras” bem como várias orações e momentos da vida.

“As quartas-feiras dedicadas a São José, e todos o mês de março, mas há tantas igrejas com dedicação a este santo devido a grande devoção, deixo ainda uma saudação a todos os homens chamados José e as mulheres a Maria José, porque os pais os consagraram a São José, também pela escolha do nome, uma marca popular”, aponta.

O padre Marco Luis analisa a figura de São José como “pai amado e pai na ternura” pois esteve ao serviço de Jesus e da Igreja mas também como “pai na obediência”, com os sonhos de José a que “ele obedece e acolhe, sem questionar o que vai acontecendo”.

“Esta pacificação de São José, ele não tenta explicar, ele tenta acolher, os dramas dos nossos dias estão aqui colocados com uma densidade tremenda, o realismo da nossa vida e o realismo que a fé implica, que tem de ser concreta como a nossa vida de todos os dias”, destaca.

Outro ponto da carta assinada por Francisco assume São José como “pai com coragem criativa” o que leva o entrevistado a identificar as passagens bíblicas em que o pai adotivo de Jesus teve de “usar a criatividade”.

“Por exemplo o presépio é fruto da bondade de Deus mas da criatividade de José que encontrou um lugar apropriado, perante as dificuldades que fazem sair de nós capacidades que nem pensávamos ter”, afirma.

O sacerdote da diocese de Setúbal acrescenta ainda que o “verdadeiro amor é sempre criativo” e imagina que, na carpintaria de São José, “devia haver objetos de vanguarda por serem feitos com muito amor”.

São José, “pai trabalhador que garantiu o sustento da família”, o patrono dos pais, trabalhadores, esposos, e padres é ainda considerado neste documento como “patrono dos refugiados”.

Segundo o padre Marco Luis, a figura de São José como “pai na sombra” surpreendeu pela forma como o Papa diz que “não se nasce pai, nascemos filhos, aprende-se a ser pai, cuidando”. 

“Esta análise é de uma atualidade tremenda quando o Papa diz que a própria Igreja, e também a sociedade, precisa de pais, aqueles que cuidam, de cuidar e ser guarda do outro”, precisa.

O “Ano especial de São José” vai decorrer até 08 de dezembro de 2021 e é o mote central do programa ECCLESIA do próximo domingo, na Antena 1 da rádio pública, pelas 06h00. 

SN

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