Responsáveis assumem necessidade de preservar património e apostar na sua utilização

Guimarães, 08 dez 2022 (Ecclesia) – A Paróquia de Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães, encerra hoje as III Jornadas do Grande Órgão Histórico, com várias iniciativas culturais e religiosas que procuram abrir o “diálogo” entre a Igreja e a sociedade

“Enquanto comunidade paroquial, temos a audácia de perceber que, nos dias de hoje, é preciso utilizar uma linguagem comum a todos. Este órgão permite-nos dialogar com todos, a partir da beleza e da música”, disse à Agência ECCLESIA o padre Paulino Carvalho, pároco local.

A Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, templo do século XV classificado como monumento nacional, inclui no seu património integrado um grande órgão histórico, obra do organeiro vimaranense Luís António de Carvalho (1766-1839).

O sacerdote da Arquidiocese de Braga sublinha a necessidade de preservar o património e de “dar continuidade” a esse esforço, na liturgia e na dimensão cultural.

“Quem entrar numa celebração com música bela, fica, mesmo que não tenha fé”, assinala.

A paróquia vimaranense vê neste seu património uma “oportunidade de se renovar”, pastoralmente e em diálogo com o mundo de hoje, tendo em consideração também o aumento do fluxo turístico.

O padre Paulino Carvalho acredita que as propostas culturais fazem parte do dinamismo de “Igreja em saída”, pedido pelo Papa Francisco, neste caso “convidando as pessoas a entrar, pela beleza da música”.

As Jornadas, na sua terceira edição, celebram em 2022 o 9.º aniversário do restauro do instrumento, numa parceria entre a Paróquia da Oliveira e o Museu de Alberto Sampaio, com o patrocínio do Município de Guimarães.

Foto: Agência ECCLESIA/OC

A iniciativa tem como diretor artístico Nuno Mimoso, organista, maestro e musicólogo, diplomado pela Escola Superior de Música Sacra de Ratisbona na Alemanha.

“Não é uma peça de um museu, que é restaurada para ser guardada, atrás de uma vitrine, é um instrumento que deve estar a uso, ao serviço da comunidade paroquial e da comunidade civil”, disse à Agência ECCLESIA.

O templo quatrocentista está engalanado para acolher visitas e liturgias solenes e louvar a sua padroeira, na solenidade da Imaculada Conceição.

O maior órgão histórico do Norte de Portugal possui 2229 tubos sonoros e 51 meios-registos (conjuntos de tubos de sonoridades diferentes), distribuídos por três secções.

Um “instrumento único”, que é sempre diferente dos outros, e que exige uma atenção permanente de manutenção.

“Como um instrumento singular, obriga a que o organista o conheça, com antecedência, e explore as suas sonoridades, combinações”, explica Nuno Mimoso.

A presença deste órgão demonstra, segundo o especialista, que “a Colegiada tem uma história riquíssima, no que respeita à música” e “é preciso recuperá-la”.

“Costumo dizer que, quando era criança, nenhum órgão histórico tocava em Portugal”, aponta, falando num “imenso património”, com 150 instrumentos funcionais, atualmente.

Para o maestro e musicólogo, é necessário “investir na formação”, para que se possa “apostar mais” na utilização destes instrumentos, cujo papel nas celebrações litúrgicas é destacado por vários documentos do Vaticano.

“Estamos a falar, neste caso, de um instrumento com mais de 200 anos e isso vai exigir mais conhecimentos, desde logo para poder transpor, para poder escolher as tonalidades mais adequadas ao temperamento, tem uma afinação histórica. Vai exigir mais de nós”, conclui Nuno Mimoso.

OC

Foto: Agência ECCLESIA/OC

O Grande Órgão da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira foi construído pelo organeiro vimaranense Luís António de Carvalho (1766-1839), por encomenda da Insigne e Real Colegiada de Guimarães em 1831, tendo ficado concluído 10 anos depois, após a morte do seu autor.

Foi restaurado entre 2011 e 2013 pelo mestre organeiro Pedro Guimarães e a sua esposa, Beate von Rohden.

Guimarães possui 12 órgãos históricos, dos quais dois estão restaurados.

 

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