«Se neste contexto pandémico as nossas escolas fizeram algo de muito diferente foi não termos esquecido neste processo a formação integral da pessoa» – Fernando Magalhães

Foto: Lusa

Almada, 15 jun 2020 (Ecclesia) – O presidente da Associação Portuguesa das Escolas Católicas (APEC) disse que os estabelecimentos de ensino têm de “estar adaptados para tudo” no novo ano letivo,  por causa da pandemia, a começar por “um calendário diferente” porque “as escolas não vão conhecer férias”.

“As escolas não vão conhecer férias este ano letivo porque com o avançar dos exames do ensino secundário sobre o mês de julho, com a divulgação dos resultados nos primeiros dias de agosto, com os processos que agora são de primeira fase (em agosto) obriga a muito mais trabalho e com os exames de segunda fase aos primeiros dias de setembro não vai descolar este ano letivo em termos de organização da escola e vai obrigar a todos a um novo calendário”, explicou Fernando Magalhães, em declarações à Agência ECCLESIA.

Sobre a preparação do modelo, o presidente da APEC afirma que os responsáveis têm que “estar abertos para tudo” e há Colégios Católicos que estão a pensar oano letivo 2020/2021 “de uma forma presencial”, ou seja, a preparar o ano letivo “como se pudesse vir a ser presencial, mas considerando as ferramentas de suporte”.

Estas plataformas todas que encontramos vão ser incorporadas num modelo presencial a 100% se ele vier a ser o modelo adotado de raiz”, acrescentou no programa ‘70×7’ transmitido este domingo, na RTP 2.

No dia 16 de março, por decisão do Governo português, como medida preventiva de propagação do novo coronavírus, as escolas fecharam, os alunos passaram a ter aulas online e os professores trabalharam a partir de cas; assim começou o 3.º período, com algumas exceções para o ensino secundário.

Fernando Magalhães salientou que este tempo “permitiu capitalizar uma série de competências junto dos miúdos, experiências de natureza pedagógica” e explorar um conjunto de ferramentas que “não podem, não vão ser perdidas porque foi um capital acumulado precioso”.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Para o diretor do Colégio Frei Luís de Sousa, da Diocese de Setúbal, as Escolas Católica podiam “ter entrado num processo de resignação, ter assumido grande fatalidade”, mas “não valia a pena” e rapidamente percebeu-se que “era para ser de outra forma” e tinham “que reagir, que adaptar”, e “foi aquilo que as escolas fizeram já no longínquo mês de março” e que “sucessivamente veio sofrendo uma série de adaptações”.

O final do ano letivo 2019/2020 está a decorrer na “sequência normal e natural dessas adaptações”, “de forma diferente, muito menos festiva e celebrativa presencial”, onde vão “inventar novas formas” para aproveitar as ferramentas tecnológicas de comunicação à distância.

A pandemia de Covid-19 atingiu a sociedade não só área da saúde mas também na área economia e social e o presidente da Associação Portuguesa das Escolas Católicas assinala que afetou a capacidade de famílias “continuarem a suportar os seus compromissos, as suas mensalidades” e, neste âmbito, refletiu-se também na capacidade das escolas “encontrar o modelo de resposta” e “teve que haver o cuidado grande e forte sobre todas essas famílias”.

Se neste contexto pandémico, as nossas escolas fizeram algo de muito diferente, para além de uma oferta substantiva, coerente, consistente, de qualidade nos sistemas que apresentaram aos seus alunos, na proximidade às suas famílias, no estar em cima, não deixar ninguém na mão, com todas as dificuldades que isso representa, foi não termos esquecido neste processo a formação integral da pessoa”.

O presidente da Associação Portuguesa das Escolas Católicas “gostava muito” que este ensino não fosse olhado como um produto de luxo, mas uma opção que “alguns pudessem escolher”, “um daqueles direitos que deve estar consagrado constitucionalmente”.

“Não vamos pôr como um produto de luxo comparado a qualquer indústria de curtumes que funciona com carteiras ao lado ou botas de calibre especial, porque não somos um produto de luxo. Somos genericamente uma oferta de grande qualidade às famílias, como as há no sistema público também, mas nós obrigamo-nos a esta vertente de raiz, de princípio, queremo-lo ser mas para todos. Que não seja nunca uma vertente de luxo que só alguns podem aceder”, desenvolveu.

O diretor do Colégio Frei Luís de Sousa (Almada) acrescentou que os apoios do Estado podem e devem “ser para as famílias que efetivamente queriam escolher” qual o sistema de ensino que querem para os filhos.

HM/CB/OC

 

 

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