Fernando Magalhães destaca «grande abrangência» de nova instrução da Santa Sé para estas instituições

Lisboa, 31 mar 2022 (Ecclesia) – O presidente da Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) disse que as instituições têm de “cuidar” da sua identidade, num comentário ao mais recente documento da Santa Sé para este setor.

“É um documento que se destina à Igreja Universal. Tem situações que tanto podem respeitar à Igreja na França, ou na Alemanha, nas Filipinas, ou à Igreja em Portugal. É um documento que tem uma grande abrangência e, nessa abrangência toda, temos de ter este cuidado particular, que é não descurar da identidade da Escola Católica”, disse o diácono Fernando Magalhães, em entrevista à Agência ECCLESIA.

A Congregação para a Educação Católica da Santa Sé publicou, esta terça-feira, a nova instrução ‘A Identidade da Escola Católica para Uma Cultura do Diálogo’.

“Temos de cuidar daquilo que é nosso. A Escola Católica tem de cuidar claramente dessa identidade, senão corre o risco de a perder ou facilmente se deixar ir por uma corrente”, assinalou Fernando Magalhães.

O responsável aponta fatores extrínsecos, da própria “sociedade, das condições políticas”, e assinala que ser Escola Católica em Portugal “é diferente” de o ser na França ou na Bélgica.

No campo das diferenças, o também diretor do Externato Frei Luís de Sousa (EFLS), da Diocese de Setúbal, exemplifica que, em Portugal, podem recrutar os professores consoante a oferta e os seus interesses, a “escolha do perfil”, enquanto no sistema francófono os estabelecimentos de ensino “concorrem para o financiamento dos próprios professores” e é o Estado que coloca os professores nas escolas, “também na Escola Católica”.

“E de alguma forma o próprio princípio da Escola Católica formada por todos os que a constituem pode ter algumas dificuldades”, referiu o entrevistado desta quinta-feira no Programa ECCLESIA (RTP2).

Fernando Magalhães lembrou que “uma das linhas mestras de força” da APEC é o “reforço” da identidade da Escola Católica.

Na nova instrução, com quase 100 pontos, a congregação da Santa Sé “assume a existência de conflitos” e o presidente da Associação Portuguesa de Escolas Católicas destaca que responsabiliza “pastores, dirigentes e professores na procura dessa unidade e dessa comunhão”.

“São aqueles que estão lá dentro e são todos aqueles que a acompanham”, afirma, salientando que a instrução “é muito clara” sobre a “posição solícita do bispo no cuidado pelas Escolas Católicas” que estão no seu território.

O presidente da APEC realça que todos têm que “assumir” um perfil que transmita aquilo que se pretende como identidade de Escola Católica, “mas dê disso testemunho também”.

Segundo Fernando Magalhães, podem existir “interpretações muito diversas do que é Escola Católica”, visões muito fechadas, redutoras, e a instrução indica que “correspondem a situações que originam situações diversas, alguns conflitos que importa dirimir”, e esclarece “como deve ser feito, e faz um conjunto de recomendações”.

O presidente da Associação Portuguesa de Escolas Católicas, e diretor do EFLS, afirma que a identidade católica “é uma vantagem”, uma responsabilidade, e “é um gozo”.

HM/CB/OC

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