Biblista português integrou comissão especializada da Santa Sé

Foto: Agência ECCLESIA/LFS

Lisboa, 20 mai 2019 (Ecclesia) – O Centro de História da Universidade de Lisboa está a homenagear o seu antigo colaborador frei Francolino Gonçalves, com um simpósio internacional que reúne vários amigos do biblista português.

“A alegria, o humor e a proximidade” foram qualidades do religioso dominicano evocadas por Ana Valdez, do Centro de História da Universidade de Lisboa, uma das responsáveis pela iniciativa.

“Trata-se de um grupo de amigos que se uniu para recordar uma figura importante da investigação bíblica, com quem tiveram a oportunidade de trabalhar” salienta.

O investigador do Antigo Testamento na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém é considerado um dos maiores estudiosos da Bíblia, tendo integrado a comissão especializada da Santa Sé.

Frei Francolino Gonçalves viveu 40 anos em Jerusalém, onde desenvolveu grande parte do seu trabalho científico, cruzando-se aí com numerosos investigadores, como o padre João Lourenço, que o visitou dois dias antes da sua morte.

O professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa recorda um homem que “sabia ler a antiguidade e propô-la ao presente”.

O padre João Lourenço sublinha ainda a capacidade de frei Francolino conseguir “extrair pensamento da análise dos textos antigos e do estudo da arqueologia”.

O simpósio de três dias começou esta manhã e prolonga-se até quarta-feira, incluindo nos seus convidados o prior do Convento de Saint-Etienne de Jerusalém.

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Frei Martin Staszak destaca o método histórico-crítico seguido por frei Francolino, que “não toma a Bíblia à letra, mas que “pega na sua mensagem integrando-a na história”.

“É da capacidade de pôr as duas em relação que se torna possível o diálogo com as ciências humanas e históricas”, considera o especialista, também dominicano.

Frei Francolino Gonçalves nasceu em Corujas (Macedo de Cavaleiros) em 1943; viria a entrar na Ordem dos Pregadores (Dominicanos) onde foi ordenado sacerdote em 1968; foi em Jerusalém que desenvolveu grande parte da sua missão de investigador, trabalhando na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém onde chegou em 1969 como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.

O religioso dominicano português faleceu em Jerusalém a 15 de junho de 2017, aos 74 anos de idade; tinha sido reconduzido pelo Papa Francisco em 2014 como membro da Comissão Bíblica Pontifícia, um cargo que ocupava desde 2009, por nomeação de Bento XVI.

Os seus principais centros de interesse foram a dimensão política do profetismo no Próximo Oriente Antigo e a história da formação dos livros proféticos da Bíblia, em especial Isaías e Jeremias.

Em 2011 foi distinguido por unanimidade com o prémio da Academia Pedro Hispano.

OC

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