Candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade está em «fase adiantada»

Foto: Patriarcado de Lisboa

Nazaré, 03 fev 2020 (Ecclesia) – O presidente da Câmara Municipal da Nazaré disse à Agência ECCLESIA que o culto a Nossa Senhora foi o primeiro fenómeno “global” de uma localidade hoje associada às ondas gigantes, falando numa devoção “muito forte” que se mantém viva.

“Há uma grande devoção, todos nós, quando nascemos, nascemos já com Nossa Senhora da Nazaré impregnada no nosso sangue, no nosso ser”, referiu Walter Chicharro à Agência ECCLESIA.

A autarquia espera apresentar em março deste ano, à comissão nacional da UNESCO, a candidatura para classificar o culto de Nossa Senhora da Nazaré como Património Imaterial e Cultural da Humanidade.

Walter Chicharro considera que esta candidatura pode ajudar a renovar e a “alargar” a devoção, também em Portugal.

“Já há muitos anos que o culto da Nazaré é global, há muitos séculos”, mesmo antes do fenómeno das ondas gigantes, assinala, evocando as 400 comunidades em todo o mundo que têm Nossa Senhora da Nazaré como referência.

O município acolheu este sábado um colóquio sobre ‘O culto de Nossa Senhora da Nazaré: perspetiva multidisciplinar’, evento organizado pela Câmara numa parceria científica com o Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa (CEPCEP) da Universidade Católica Portuguesa.

O processo de candidatura das práticas e manifestações deste culto a Património Cultural Imaterial, Nacional e da Humanidade, está a ser conduzido por uma equipa liderada por Carlos Laranjo Medeiros.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o responsável informa que o processo “está numa fase adiantada”, numa candidatura “portuguesa e brasileira”, porque a mesma diz respeito ao “culto no mundo”.

Para a UNESCO, precisa Carlos Medeiros, está em causa a “perspetiva cultural, social e histórica”, que parte da devoção religiosa.

“A perspetiva da candidatura é a perspetiva do culto na comunidade, é a perspetiva cultural”, acrescenta.

Paulo Fontes, diretor do Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR) da Universidade Católica Portuguesa, fala num projeto importante para “valorizar não apenas a tradição, mas a atualidade deste património imaterial”.

O historiador destaca as práticas simbólicas associadas ainda hoje à devoção e os desafios contemporâneos que se lhe colocam.

“O culto da Senhora da Nazaré, seja por via do santuário, com toda a sua tradição e carga simbólica, que se manteve e reinventou, seja por via das peregrinações, que são constantes, é uma atualidade”, declara.

Foto: Patriarcado de Lisboa

O culto a Nossa Senhora da Nazaré, uma das mais antigas tradições marianas portuguesas, é particularmente visível no ‘Círio da Nazaré’, em Belém, no Estado do Pará (Brasil), que reúne entre dois a três milhões de devotos.

De 24 a 26 de janeiro, a Nazaré (Patriarcado de Lisboa) acolheu o primeiro encontro internacional de comunidades devotas, encerrado pelo cardeal-patriarca, D. Manuel Clemente, o qual destacou a “mensagem universal” que partiu deste santuário.

“Perigo de cair em precipícios não nos faltam, quer físicos, quer de outra ordem, a todo o homem e mulher deste mundo. E ter esta tradição da Nazaré, da Senhora que nos salva de cair do precipício e nos salva com o Menino que nos traz nos braços, é muito bela e sugestiva. Por isso, não admira que os homens do mar da Nazaré a tenham levado a muitos outros pontos do nosso mundo e muito especialmente ao Brasil, em Belém do Pará”, sublinhou.

LFS/OC

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