O Papa pede defesa da família fundada sobre o matrimónio A Conferência Episcopal espanhola iniciou ontem uma campanha contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o seu direito à adopção, que o governo do primeiro-ministro Rodriguez Zapatero pretende regularizar em 2005. Esta campanha somou-se à já programada jornada “Familia y Vida 2004”, celebrada nesse mesmo dia, por ocasião da festa litúrgica da Sagrada Família. A iniciativa foi celebrada nas 69 dioceses do país, com a distribuição de sete milhões de desdobráveis nas paróquias espanholas, nos quais se indica que “no matrimónio, Deus une homem e mulher para que, formando uma só carne, possam transmitir a vida humana”. Ontem, antes da oração do Angelus, o Papa pediu que “os homens de cultura e os responsáveis políticos defendam a instituição familiar fundada sobre o matrimónio e a sustentem diante dos graves desafios do tempo presente”. A CEE desmentiu qualquer intenção de criar mais tensões nas já de si difíceis relações entre a Igreja e o executivo espanhol, explicando que a campanha tem como missão “que os católicos compreendam melhor a sua fé”. O documento considera que “o comportamento homossexual é eticamente reprovável” e que “duas pessoas do mesmo sexo não têm nenhum direito a casar-se”. Os bispos espanhóis consideram ser necessária “uma oposição clara e incisiva ao reconhecimento legal das uniões entre homossexuais ou à sua equiparação ao casamento, com acesso aos direitos inerentes”. Sobre a adopção por casais do mesmo sexo, o documento afirma que deve ser “rejeitada” por não constituir um “referente adequado”, na medida em que “a figura do pai e da mãe é fundamental para a clara identificação sexual da pessoa”.
