«Verdadeira inclusão exige políticas públicas estruturadas, compromisso institucional e uma estratégia clara que combata o anticiganismo» – Hélder Afonso

Lisboa, 08 abr 2026 (Ecclesia) – A Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC), da Igreja Católica, apelou hoje à criação de uma estratégia nacional que ajude a travar a “discriminação” destas populações e promova uma “verdadeira inclusão.
“Reiteramos o nosso compromisso e o apelo a toda a sociedade, em especial aos decisores políticos, para que avancemos urgentemente com uma Estratégia Nacional e continuemos a trabalhar em conjunto na eliminação de todas as formas de discriminação”, pode ler-se na mensagem enviada à Agência ECCLESIA, assinada pelo diretor da ONPC, Hélder Afonso, a respeito do Dia Internacional dos Ciganos (8 de abril).
O responsável considera “inadmissível” que, em 2026, Portugal “ainda não tenha uma Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas”.
“A ausência deste instrumento fundamental perpetua desigualdades históricas, a segregação habitacional e escolar, e o estigma que ainda faz parte do dia-a-dia de tantos cidadãos”, assinala a nota.
A mensagem evoca os 500 anos sobre a emissão do primeiro alvará de expulsão assinado pelo rei D. João III, apelando a que a data funcione como um ponto de viragem.
“Hoje, como nos mostram os inspiradores exemplos da nossa sociedade, vemos cada vez mais jovens a quebrar barreiras, a frequentar o ensino superior, a assumir cargos de representação política e a destacar-se nas artes”, refere o diretor da ONPC.
O responsável católico assinala a urgência de respostas governamentais efetivas, alertando para a perpetuação das desigualdades históricas.
A verdadeira inclusão exige políticas públicas estruturadas, compromisso institucional e uma estratégia clara que combata o anticiganismo em todas as suas frentes.”
O documento da ONPC cita palavras proferidas pelo Papa Leão XIV durante o Jubileu dos Ciganos e Povos Itinerantes, em 2025, sublinhando o apelo ao trabalho honesto e à superação dos ressentimentos.
“O respeito por esta fraternidade universal é o alicerce sobre o qual podemos mudar o mundo”, pode ler-se.
Hélder Afonso apresenta a figura do Beato Zeferino Giménez Malla como modelo de mediação e de amizade social, destacando os valores da defesa da vida e do acolhimento.
“A sua memória recorda-nos que as comunidades ciganas são verdadeiras peritas na fraternidade e na solidariedade”, sustenta.
O texto termina com um repto direto aos decisores políticos e à sociedade civil, reclamando o fim de todas as barreiras sociais e preconceitos.
“Que saibamos olhar para o futuro com a mesma esperança inabalável que tem guiado o povo cigano, construindo pontes de diálogo e promovendo uma convivência pacífica e justa para todos”, conclui o diretor da ONPC.
OC
