Encontro integra o ciclo «As entrelinhas nos textos de Mateus»

Coimbra, 14 mai 2026 (Ecclesia) – A Capela de São Miguel, na Universidade de Coimbra, recebeu, esta terça-feira, a terceira sessão do ciclo “As entrelinhas nos textos de Mateus” com o professor Frederico Lourenço, que sugeriu uma “nova tradução da oração do Pai Nosso”.
“Em Mateus temos o paradoxo de uma aparente aceitação na totalidade, em paralelo com frases que cumulativamente funcionam como refutação de muitos aspetos da Lei judaica”, realça uma nota enviada à Agência ECCLESIA.
A partir do discurso da montanha, que ocupa no Evangelho de Mateus os capítulos 5 a 7, o docente acentuou a relação paradoxal de Jesus com a Lei judaica, presente fortemente no segmento textual em reflexão.
Passando por temáticas como o divórcio e o perdão, a reflexão oferecida pelo professor catedrático da Universidade de Coimbra, “questionou ainda algumas traduções dos textos das bem-aventuranças e do Pai-nosso, oferecendo, aos presentes, alternativas que aproximem a tradução do sentido original”.
Considerando a importância do Pai-Nosso na vida dos cristãos, Frederico Lourenço questionou expressões presentes na tradução oficial portuguesa como ‘perdoai-nos as nossas ofensas’ ou ‘não nos deixeis cair em tentação’: “o que pedimos em português é que Deus perdoe as nossas ‘ofensas’, palavra que não está nem em Mateus nem em Lucas. Se o rezássemos segundo o texto de Mateus, pediríamos para Deus perdoar as nossas dívidas. E a verdade é que nem Mateus nem Lucas falam em tentação. Falam em provação.”
Apresentada a pertinência de uma nova tradução, Frederico Lourenço ofereceu aos presentes uma paráfrase original do Pai-Nosso, atendendo ao conteúdo semântico e teológico do texto original e à intencionalidade do redator:
““Pai Nosso, que estás nos céus; seja santificado o Teu nome. Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade: tal como no céu, também assim na terra. Dá-nos hoje o nosso pão de amanhã; e perdoa as nossas dívidas, tal como nos já perdoámos aos nossos devedores. E não nos leves <como fizeste aos israelitas no Antigo Testamento> para a provação de termos de escolher entre Ti e aquilo que se Te opõe, mas livra-nos do mal <que consiste no proveito próprio em detrimento do Bem que és Tu, Pai Nosso>’”, acrescenta.
A próxima e última sessão deste ciclo de encontros será no dia 9 de junho, às 18h00, na Capela de São Miguel, com entrada livre.
LFS
