«Este manifesto significa levantar uma voz profética, promovendo a conversão ecológica e cultural» – D. Jaime Spengler
Washington, 18 mar 2026 (Ecclesia) – Lideranças católicas da África, América Latina e Caribe, Ásia, Oceânia e Europa apresentaram o ‘Manifesto das Igrejas do Sul Global pela Nossa Casa Comum: Rumo à Paz com a Criação – Um Apelo Urgente por uma Transição Justa para Além dos Combustíveis Fósseis’.
“Reafirmamos que a defesa da vida e da dignidade humana exige que hajamos com determinação diante da crise socio ambiental. Não podemos ser indiferentes quando modelos económicos e financeiros colocam em risco a vida humana e transgridem os limites do planeta”, lê-se no documento enviado à Agência ECCLESIA, hoje, dia 18 de março, pelo Movimento Internacional Laudato Si.
Na conclusão ‘esperança e ação’, os signatários do manifesto comprometem-se a “promover uma transição energética justa”, a rever as suas próprias práticas, incluindo o “desinvestimento em combustíveis fósseis, e a acompanhar as comunidades que sustentam, com esperança, a resistência e a resiliência nos seus territórios”.
Segundo o presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM), D. Jaime Spengler, este manifesto responde a “um modelo económico e a um paradigma tecnocrático responsáveis por uma economia que mata, baseada em padrões de consumo insustentáveis”.
“Para a Igreja e para a nossa região, este manifesto significa levantar uma voz profética, promovendo a conversão ecológica e cultural, fortalecendo a incidência política e renovando a opção preferencial pelos mais vulneráveis”, explicou o cardeal brasileiro.
O Manifesto das Igrejas do Sul Global ‘Por Nossa Casa Comum Rumo à paz com a criação: um apelo urgente por «uma transição justa para além dos combustíveis fósseis’, dos organismos episcopais católicos continentais de África, América Latina e Caribe, e Ásia, com representantes da Igreja Católica na Europa e na Oceânia, é uma iniciativa de discernimento da COP30 e de preparação da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas 2026, a COP31, que se vai realizar em Antália, na Turquia, de 9 a 20 de novembro de 2026.
Os subscritores fazem quatros apelos aos governos e líderes mundiais, que se juntem às nações que “impulsionam o Tratado de Combustíveis Fósseis”, que reconheçam que a cooperação internacional “é o único caminho para uma transição ordenada”, integrem o fim dos combustíveis fósseis nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), e protejam os “homens e mulheres de comunidades indígenas e locais”.
Este documento é constituído por mais três pontos, onde estas lideranças católicas apresentam ‘um complemento necessário ao Acordo de Paris’, resultante da COP21 de 2015, ‘princípios para uma transição justa sem soluções falsas’, e pedem ‘justiça financeira: dívida e reparações’.
O novo manifesto das lideranças católicas do Sul Global, e da Europa, o Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), foi apresentado num webinar mundial que reuniu bispos, teólogos e defensores da justiça climática, “mais de mil pessoas”, esta segunda-feira, dia 16 de março.
O cardeal Ladislav Nemet, vice-presidente do CCEE, afirmou que a Europa e a Oceânia “estão empenhadas em apoiar esta luta conjunta”, porque quando agem juntos a “resposta se torna mais eficaz”.
Para o presidente da Federação das Conferências dos Bispos da Ásia (FABC, na sigla em inglês), o cardeal goês D. Filipe Neri António Sebastião do Rosário Ferrão, este documento é um apelo para “denunciar falsas soluções de mercado e exigir a eliminação gradual dos combustíveis fósseis”.
O Movimento Internacional Laudato Si’ apresentou neste encontro online o documento ‘Fundamentos Teológicos: Uma reflexão teológica católica sobre a proposta de um Tratado sobre Combustíveis Fósseis’, que oferece uma “estrutura moral” para as lideranças da Igreja e instituições católicas, e explicam que limitar a produção de combustíveis fósseis está em consonância com a Doutrina Social da Igreja.
“O ensinamento social católico chama-nos a proteger a vida, defender a justiça, e agir com prudência diante dos graves riscos à nossa casa comum” – Lorna Gold, diretora executiva do Movimento Laudato Si’
CB/PR
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