Francisco sublinha herança cristã do país, rejeitando «entrincheiramentos»

Foto: Lusa/EPA

Budapeste, 12 set 2021 (Ecclesia) – O Papa despediu-se hoje da Hungria, após a Missa que encerrou o 52.º Congresso Eucarístico Internacional em Budapeste, pedindo que o país esteja aberto a todos e rejeite “entrincheiramentos”.

“A cruz plantada no solo, além de nos convidar a que nos enraizemos bem, ergue e estende os seus braços a todos: exorta a manter firmes as raízes, mas sem entrincheiramentos; a beber nas fontes, abrindo-nos aos sedentos do nosso tempo”, referiu a milhares de pessoas reunidas na Praça dos Heróis, antes da recitação da oração do ângelus.

Na última intervenção que proferiu na capital húngara, onde iniciou esta manhã a 34ª viagem internacional do seu pontificado, Francisco falou da herança cristã do país europeu e do simbolismo da Cruz como “ponte entre o passado e o futuro”.

“O sentimento religioso é a seiva vital desta nação, tão afeiçoada às suas raízes”, sublinhou, pedindo que os católicos sejam “alicerçados e abertos, enraizados e respeitadores”.

Falando aos participantes no 52.º CEI, entre eles uma delegação portuguesa, o Papa desejou que todos anunciem “o Evangelho libertador da ternura sem limites de Deus por cada um”.

Francisco agradeceu aos promotores deste encontro – adiado por um ano, devido à pandemia – e à “grande família cristã húngara”, desejando que todos se encaminhem para a “unidade plena”.

“Saúdo cordialmente o Patriarca Bartolomeu, irmão que nos honra com a sua presença. Obrigado em particular aos meus amados irmãos bispos, aos sacerdotes, aos consagrados e consagradas, e a todos vós, queridos fiéis! Um agradecimento especial a quem tanto trabalhou para a realização do Congresso Eucarístico e deste dia”, acrescentou.

O Papa manifestou também a sua gratidão às autoridades civis e religiosas que o acolheram, antes de evocar a beatificação, em Varsóvia, do cardeal Stefan Wyszyński e de Isabel Czacka, fundadora das Irmãs Franciscanas Servas da Cruz.

“Duas figuras que conheceram de perto a cruz: o primaz da Polónia, preso e segregado, manteve-se sempre um pastor corajoso segundo o coração de Cristo, arauto da liberdade e da dignidade humana; a Irmã Isabel, que perdeu a visão muito jovem, dedicou toda a sua vida a ajudar os cegos”, indicou.

Francisco deixou a sua bênção “às crianças e aos jovens, aos idosos e aos enfermos, aos pobres e aos marginalizados”.

“Convosco e por vós, digo: Isten, áldd meg a magyart [Deus abençoe os húngaros]”, concluiu, diante de uma multidão que irrompeu em aplausos.

O Papa segue para o Aeroporto Internacional de Budapeste, onde decorre a cerimónia de despedida, prosseguindo a sua viagem na Eslováquia, onde permanece até quarta-feira.

OC

O cardeal Péter Erdo, arcebispo de Budapeste, dirigiu uma saudação ao Papa, no início da Missa, falando de uma “cidade de pontes”.

“Sentimos a vocação de ser ponte entre Oriente e Ocidente, entre diferentes mundos culturais e religiosos e entre várias nações”, declarou.

O responsável evocou ainda os 15 anos do ato de reconciliação e amizade entre as Conferências Episcopais da Hungria e da Eslováquia.

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