Irmãos,

Em Domingo de Páscoa, somos convidados a proclamar a nossa Fé em Cristo Ressuscitado. Trata-se de afirmar que Ele é Deus com o Pai e, apesar disso, morreu e ressuscitou, e a nova existência de Jesus permite-lhe estar junto de Deus Pai e junto dos seus discípulos, a quem prometeu acompanhar até ao fim dos tempos.

Trata-se da grande afirmação de Fé da Igreja. Afirmamos acreditar na ressurreição quando, naturalmente, vemos que o corpo humano fragiliza, falece e se transforma em pó da terra ou cinzas.

A afirmação de que Cristo ressuscitou, está vivo, resulta do reconhecimento de que n’Ele estava Deus. É tão difícil falar da Ressurreição de Jesus, como da sua humanidade e divindade. Para os Apóstolos não foi fácil acreditar na ressurreição, porque não conseguiam digerir o escândalo da morte na cruz.  Foi necessário que o próprio Ressuscitado lhes desse sinais da nova existência para não os perder em desânimo.

Sublinhemos a Palavra de Deus que ouvimos.

Pedro e o outro Apóstolo, que é João, correram para o sepulcro, viram-no vazio e acreditaram. Acreditaram com espanto, pois diz o Evangelho que, “na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos Mortos” (Jo 20,9).

Entretanto, conforme ouvimos na primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, o Apóstolo Pedro oferece-nos um vigoroso testemunho: anuncia que Jesus de Nazaré morreu na cruz, foi sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia. A postura de Pedro, com todo o entusiasmo, contrasta com a timidez e fragilidade que o levou a negar a sua pertença ao grupo de Jesus, conforme consta na narração da Paixão. Algo de especial aconteceu para agora se encontrar a pregar tão destemidamente. Podemos concluir: o Apóstolo Pedro também passou da morte à vida, e o mesmo aconteceu com os seus companheiros. Pedro testemunha a Ressurreição com esta proposta: os que escutarem a Palavra de Cristo e acreditarem n’Ele, serão purificados e renovados.

O testemunho alarga-se. Também o Apóstolo Paulo na segunda Leitura (Carta aos Colossenses) afirma: “Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto”. Está a testemunhar a sua grande experiência de convertido, por ter escutado a Palavra de Ressuscitado. Acreditar é também ressuscitar; é efeito, não apenas do túmulo vazio, mas de um novo encontro que se traduz em maior luz interior. É o que verificamos no testemunho dos apóstolos: de tímidos, desanimados ou afastados, tornaram-se apóstolos fervorosos dispostos a dar a vida por Cristo.

Sintamo-nos continuadores desta graça e desta missão. Cristo é a nossa Páscoa e tendo ressuscitado também para nos acompanhar, desafia-nos a encontrá-Lo na estima, na consideração e relacionamento de uns com os outros. A Ressurreição do Senhor tem o seu efeito na comunidade e nos espaços onde vivemos. Portanto, a novidade não a é de termos mais coisas, mas é a certeza e a alegria de sermos amados por Deus.

Vivemos em tempos difíceis para todo o mundo. Como cristãos, somos chamados a dar testemunho da esperança: sejamos sinal, uns para os outros, do Amor vitorioso do Ressuscitado. Não permitamos que o medo nos roube a esperança e a capacidade de amar, porque essa será a nossa maior riqueza que Deus colocou no nosso coração, como nos lembra S. Paulo: “Se não tiver caridade, nada sou” (1ª Cor 13,2).

Neste sentido, disponhamo-nos a dar testemunho da Ressurreição sendo generosos, colaborando com quem está a assegurar o apoio aos mais pobres. É bom e necessário que os pobres possam contar com a Igreja; aqui a Igreja somos nós, cristãos nesta Diocese de Santarém.

O Senhor conquistou-nos por alto preço: derramou o seu sangue para nos libertar do mal. Não desperdicemos esta vitória! Procuremos viver reconciliados com Deus e demos testemunho deste Amor que salva e liberta. Que o Senhor nos confirme na Fé e na força do testemunho. O Senhor Ressuscitou verdadeiramente. Aleluia!

D. José Traquina

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