O Pe. José Bacelar, grande obreiro da Universidade Católica Portuguesa, foi recordado “Estudos de Metafísica e Ontologia – Perspectiva de um Horizonte Filosófico” é um conjunto de estudos que constituem o essencial legado especulativo de José Bacelar e Oliveira, S.J. (1916-1999) e na qual encontramos a “expressão de um vigoroso pensamento” – sublinha o livro, apresentado na tarde de 16 de Janeiro, na Universidade Católica Portuguesa. Com a chancela a Imprensa Nacional Casa da Moeda, a presente compilação – disse, na sessão de apresentação, o prof. Roque Cabral, – é uma “aventura a trilhar caminhos novos”. Se o seu pensamento filosófico “fosse publicado na Alemanha, ou então em França, teria outro impacto” – mencionou o Prof. Roque Cabral. Por sua vez, Fernando Guedes evocou a figura deste jesuíta que dedicou grande parte da sua vida à Universidade Católica Portuguesa (UCP), da qual foi o primeiro reitor, tendo também fundado e dirigido a Sociedade Científica da UCP. Na homenagem, Fernando Guedes, um dos 29 fundadores da Sociedade Científica juntamente com o Pe. José Bacelar, referiu que “pedra a pedra a obra foi nascendo” e muito se deve ao homenageado que “era a presença visível da UCP no exterior e interior”. Como tinha boas relações institucionais, tanto na Alemanha como nos Estados Unidos da América, o primeiro reitor da UCP, esteve quatro mandatos, recebeu “bons apoios desses países”. E recorda o exemplo do cardeal de Boston, Cardeal Medeiros, “que ajudou esta instituição”. Um homem “sonhador” e de “negócios” – como ele gostava de se apelidar – que projectou a UCP “para fora das suas paredes”. O além-fronteiras também estava presente no seu trabalho, a fazer lembrar a gesta missionária dos portugueses em séculos passados, e fez acordos “com Goa e Macau” para a implantação da UCP nesses territórios. Para além do papel “singular” e “decisivo” desempenhado neste estabelecimento de ensino – disse à Agência ECCLESIA o actual reitor da Universidade Católica Portuguesa, Manuel Braga da Cruz, o Pe. José Bacelar esteve também presente na “organização e lançamento da «Enciclopédia Verbo» e como universitário “foi graças a ele que a UCP surgiu e se afirmou”. Embora tenha “sacrificado a sua vocação filosófica à sua mais vasta vocação universitária”, este pensador jesuíta deixou “uma notável obra” dedicada à “reflexão antropológica e à critica filosófica, nomeadamente às suas relações com a metafísica e com a Ontologia” – acentuou Manuel Braga da Cruz. Partindo de Aristóteles, de S. Tomás de Aquino e, mais especificamente, dos conimbricenses, este obreiro da UCP pretendeu realizar uma renovação da metafísica clássica tendo “em conta as exigências da filosofia contemporânea”. Um “inovador” – como lhe chamou Roque Cabral – que abandonou as “limitações empobrecedoras da metafísica escolástica anterior, a qual se perdia em métodos de uma teoria do conhecimento extrinsecista”. A sua fundamentação tinha uma perspectiva mais ampla em que “o homem é concebido como síntese do Universo onde se convergem os seres materiais e o espírito”. Investigações que deram à luz uma “obra ainda actual” – a sua tese de doutoramento «O Homem como Antinomia e Harmonia na Concepção Metafísica de S. Tomás de Aquino, de 1949 – disse Roque Cabral.
