Iniciativa do Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização decorre de 21 a 24 de fevereiro

Lisboa, 18 fev 2019 (Ecclesia) – O Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização (IEAC-GO) vai promover, entre quinta-feira e domingo, em Guimarães, o I Congresso Internacional sobre ‘A morte: leituras da humana condição’.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o presidente da Comissão Científica do evento, Paulo Alves destaca uma matéria que é “transversal a todos os domínios” e para a qual a sociedade precisa de ser cada vez mais “preparada e educada”, tendo sempre como horizonte último reforçar “o valor da vida”.

“Quando organizamos um congresso desta natureza, o grande contributo será sempre para mexer na essência da condição humana, e dar um contributo para a vida”, realça aquele responsável.

Entre as cerca de 140 comunicações que vão estar em destaque no evento, que começa esta quinta-feira no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, estão assuntos como a eutanásia e os cuidados paliativos, que têm estado na ordem do dia em Portugal e na Europa.

Para Paulo Alves, o surgimento de cada vez mais debates de “fronteira” em relação ao fim da vida só indica que é preciso fazer mais para que “a morte seja cuidada em todos os sentidos, tanto do ponto de vista preventivo como em tudo aquilo que ocorre após o acontecimento da morte”.

Durante quatro dias, o tema ‘A morte: leituras da humana condição’ vai ser abordado por especialistas dos mais variados quadrantes científicos, desde a Psicologia à Filosofia, passando pela Antropologia, a Sociologia, a História, a Medicina, a Política, o Direito, a Economia, a Arte e a Teologia.

A esta “pluralidade” de saberes juntar-se-ão também diferentes abordagens religiosas, com a consciência de que a discussão sobre a morte envolve “todos os credos”.

Por muito que hoje se esteja muitas vezes perante “uma sociedade líquida, que nem sequer quer colocar essa questão”, frisa Paulo Alves.

Promovido em parceria com a Câmara Municipal de Guimarães, e com o contributo de várias outras instituições do meio académico, científico, económico e social, o congresso conta com oradores como o jornalista José Alberto Carvalho; a escritora judia Miriam Assor; o bispo de Bragança Miranda, D. José Cordeiro; e o jurista Jorge Bacelar Gouveia.

Destaque para outros nomes como o humorista Ricardo Araújo Pereira, que irá levar ao evento o tema ‘A morte e o humor’; o arquiteto Filipe Fontes, com a reflexão ‘a inclusão da morte na vida da cidade’, em particular a presença dos cemitérios no espaço urbano; e o escritor e investigador Dionísio Vila Maior, que vai falar sobre ‘O Modernismo, a «morte de Deus» e a substancialização do sujeito’.

Paulo Alves salienta que o objetivo do Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização é afirmar este projeto como um espaço continuado no tempo, de reflexão científica, social e religiosa sobre o sentido estas questões.

“Este é um primeiro congresso, mas estou seguro que a este se irá seguir um segundo, um terceiro e um quarto”, frisa aquele responsável, que sublinha “a mobilização” que o evento tem gerado entre as diferentes áreas do saber.

“Houve aqui um movimento claro de reconhecimento do valor da temática. Há aqui também outra dimensão importante, que é a presença de oradores de vários países e continentes”, completa.

O Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização (IEAC-GO) é uma associação privada, sem fins lucrativos, formalmente constituída por 24 membros fundadores, no dia 23 de dezembro de 2017, no Santuário de Fátima.

JCP

“Em tudo quanto se lhe sucede ou no tanto que a precede. A perspetiva temporal futura da Vida conta com a incontornável existência da Morte. Aprender a saber da sua presença, educar e integrar a realidade final no processo de crescimento e normalização do Humano, nas múltiplas sociedades em que este se inclui, é tarefa para a qual queremos contribuir.

Quando o esforço individual se concentra na negação, o movimento coletivo se ajunta na liquidez do ignorar, achamo-nos na turbulência do vazio, a lutar contra nós mesmos, num conflito que jamais poderemos vencer e em que o sofrimento é causado, tantas vezes, mais pela luta do que pelo acontecimento”.

Nota do presidente da Comissão Científica do Congresso

 

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