Carta pastoral «Vigilantes na Fé e na Esperança» reconhece impacto da Covid-19 na diocese da Guarda e convida a reforço da ação comunitária

Foto: Diocese da Guarda

Guarda, 03 dez 2020 (Ecclesia) – O bispo da Guarda publicou acarta pastoral ‘Vigilantes na Fé e na Esperança’, refletindo sobre as consequências que a pandemia está a provocar e convidando a procurar “novos caminhos” para “superar a crise” e “aprofundar a fé”.

“Os planos de Deus muitas vezes não coincidem com os nossos planos ou, pelo menos, pedem realizações diferentes daquelas que nós projetámos. E isso é o que está a acontecer connosco nestes tempos da pandemia, o que nos obriga, primeiro, a parar para repensar o que projetámos e, depois, a procurar novos caminhos, mais ajustados às situações que estão em permanente e rápida mudança”, reconhece D. Manuel Felício, numa carta assinada e dada a conhecer no I Domingo do Advento (29 de novembro).

O responsável eclesial afirma que importa encontrar os “sinais de Deus” que se reconhecem “dentro e fora da Igreja”, procurando, dessa forma, caminhos novos para uma “realização pessoal e para a construção das comunidades”, apontando os sinais como “indicadores do que deve ser uma vida em sociedade, cada vez mais digna”.

“Estamos convencidos de que os sinais de Deus também estão na pandemia causada pelo novo coronavı́rus, que a todos continua a afligir-nos, sem sabermos até quando se prolongará”, sublinha.

D. Manuel Felício foca “outras pandemias” que a Covid-19 “trouxe à luz do dia”, e que a “falta de vigilância” impedia de identificar e combater: “A crise da vida; a crise da família; a crise da proteção social, que teima em não dar a devida atenção aos mais vulneráveis; a crise no uso dos bens materiais, que não pode resumir-se, como muito frequentemente acontece, ao ritmo da produção e do consumo, mas tem de saber sujeitar-se à grande prioridade que é o bem total de cada pessoa e o Bem comum; a crise da solidariedade e da organização do trabalho; a crise da saúde, a que agora estamos especialmente sensíveis pela conjuntura que nos afeta”.

O responsável católica entende que esta é a hora para a diocese “no conjunto das suas paróquias, grupos de paróquias, arciprestados, serviços e movimentos apostólicos”, reforçar o compromisso “na procura conjunta da nova normalidade que a pandemia e as muitas crises a ela associadas estão a impor”, através “dos serviços de caridade organizada” já existentes ou outros grupos.

O bispo da Guarda alude, especialmente, às pessoas que estão sós: “Não podemos abandonar as pessoas, mas temos de saber concertar formas novas e inovadoras de as acompanhar. Tratá-las como objeto descartável seria o pior escândalo, com o qual não podemos pactuar”.

O responsável manifesta ainda preocupação com a formação das crianças e dos jovens, cujos espaços catequéticos têm estado “muito afetados pela pandemia”.

Na área da formação, D. Manuel Felício enaltece o compromisso dos pais “no processo da catequese dos filhos” que procuram concretizar a “experiência de uma família que seja verdadeira Igreja doméstica, onde se reza, se escuta e partilha a Palavra, se ensaia o diálogo e a correção fraterna”.

A nova proposta de formação dos catequistas, «Ser catequista» é, para o bispo da Guarda, a oportunidade para uma “verdadeira catequese de adultos”.

“Esperamos que este material possa ajudar os nossos catequistas a aprofundarem a sua Fé, para, com mais autoridade, nela poderem iniciar quantos lhes estão confiados.

Por outro lado, se antes já assim era, agora, com mais razão, temos de deixar de pensar e organizar a catequese somente em função das festas que lhe andam ligadas, seja a Primeira Comunhão, a Profissão de Fé ou o Crisma. Antes, temos de fazer da catequese o percurso da Fé, que promove o amadurecimento pessoal e a inserção comunitária”, explícita.

D. Manuel Felício afirma que “um dos melhores serviços a prestar à sociedade, no conjunto das suas estruturas de governo e de serviço às pessoas e às comunidades” passa pela “comunhão, pela partilha fraterna, participação, o mais alargada possível”.

Decorrido um ano desde que fio definido o plano pastoral da diocese da Guarda, para o triénio 2019-2022, D. Manuel Felício indica que “muitas atividades foram programadas e não se puderam realizar”, mas convida “todos os serviços diocesanos de pastoral a se manterem vigilantes, em constante diálogo com os párocos, para discernir as iniciativas que podem e devem ser desenvolvidas, em cada momento”.

O responsável elege duas, que sobressaem de dois objetivos do Plano Pastoral, orientados para os jovens e para as famílias: “Fazer a análise e o estudo da realidade juvenil e vocacional na nossa Diocese e organizar uma jornada pastoral sobre os jovens e a vocação”.

Sobre as famílias, pede o bispo da Guarda uma “prospeção da realidade diferenciada das famílias, incluindo a identificação, por meios naturalmente discretos, das situações que envolvam possível declaração de nulidade matrimonial, e organizar uma jornada pastoral sobre a família”.

D. Manuel Felício explica que para o presente ano pastoral não se apresentará uma “calendário de atividades pastorais programadas e definidas para se realizarem em lugares e tempos predeterminados” e pede aos serviços diocesanos que se mantenham atentos para perceber o que “forma ajustada às novas condicionantes” possa ser possível realizar, “particularmente as que foram programadas para a pastoral juvenil e para a pastoral familiar”.

O bispo da Guarda sublinha ainda na Carta Pastoral, apresentada em tempo de Advento, que com uma celebração diferente, “o acontecimento do Natal permanece”.

“Mesmo com os novos constrangimentos, as novenas da Imaculada e do Natal não serão proibidas. Não poderão, é certo, ter as expressões efusivas dos anos anteriores. Também os habituais atendimentos às pessoas, que geralmente procuram os sacerdotes, em maior número, para prepararem o Natal, sobretudo com o Sacramento da Reconciliação, não os vamos interromper, embora respeitando sempre as regras e cuidados imprescindíveis”, finaliza.

LS

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