O bispo diocesano entregou anel episcopal à Senhora do Monte na celebração em honra da padroeira da Ilha da Madeira como sinal de «gratidão simples mas sincera» pela proteção na atual pandemia

Funchal, 15 ago 2020 (Ecclesia) – O bispo do Funchal, D. Nuno Brás, presidiu hoje à Eucaristia em honra de Nossa Senhora do Monte, na diocese do Funchal, onde apontou este “terrível tempo de deserto” em que “Maria é o sinal de que é possível vencer a provação”.

Vivemos, todos nós, neste mesmo momento, um terrível tempo de deserto. Começou mesmo por ser um tempo de confinamento, de silêncio, de ruas literalmente desertas e abandonadas; um tempo em que a vida humana se pressente desamparada e frágil, perante um inimigo invisível, traiçoeiro — um “dragão” invisível mas não menos apocalíptico”, disse D. Nuno Brás na sua homilia. 

D. Nuno Brás recordou que “no deserto, Maria é o sinal de que é possível vencer a provação” e, quando há cinco meses, no tempo de confinamento se “entregaram às mãos maternas de Nossa Senhora do Monte”.

“E creio que, ao longo destes meses, Ela foi, uma vez mais, um sinal para nós: passámos todo este tempo sem qualquer morte entre os habitantes das nossas ilhas. Por isso hoje, nesta sua festa, queremos agradecer-lhe”, assumiu.

Na Eucaristia, que contou com a concelebração do bispo emérito, D. António Carrilho, o prelado apontou ainda este tempo como oportunidade para “muitos que sentiram sede de Deus, a necessidade de um sentido para a existência”,  e também os diocesanos com razões para agradecer. 

“De um modo muito particular nós, madeirenses e portosantences, temos razões para reconhecer esta proximidade divina no meio daquilo que foram os desertos destes meses”, assinalou nesta celebração com transmissão televisiva e nas plataformas digitais. 

Neste dia de Assunção de Nossa Senhora, o bispo do Funchal apontou ainda outra “faceta” de Maria.

“Maria é a lutadora (a “Senhora das Vitórias”, diria a Irmã Wilson). Muitas vezes esquecemos esta faceta da presença da Virgem no meio da história. No entanto, também desde cedo, os cristãos olharam para Maria como a Mulher incansável que, no deserto, derrota o dragão”, destacou.

Devido às limitações da pandemia Covid-19, as celebrações da Nossa Senhora do Monte, terminam este sábado, 15 de agosto, sem o tradicional arraial, por causa da pandemia.

A solenidade foi marcada, pela “contenção das despesas da festa” e pela ajuda concreta às pessoas em dificuldades, com a iniciativa do “baú solidário”, que consiste na entrega de bens essenciais.

No fim da celebração, em sinal de “gratidão simples mas sincera” perante a pandemia, D. Nuno Brás entregou o seu anel “significando na mão do bispo a igreja diocesana que se encontra à sua responsabilidade e que hoje se confia à tua guarda e proteção”.

“Ajuda-nos Senhora a viver a fé com mais fervor, a esperar com mais certeza e a olhar para o próximo com maior amor”, concluiu.

SN

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