Bispos pedem que cristãos não se transformem em «alvo a abater»

Foto: Lusa/EPA

Nice, França, 29 out 2020 (Ecclesia) – Três pessoas morreram hoje, em Nice, sudeste da França, após serem atacadas com uma faca por um homem, que entrou na Basílica de Notre-Dame, durante a celebração da Missa.

D. André Marceau, bispo de Nice, refere em comunicado que um “drama se abate sobre esta manhã na comunidade cristã dos Alpes-Marítimos” e informa que, de momento, todas as igrejas de Nice estão “fechadas até novo aviso e colocadas sob proteção policial”.

“Todas as minhas orações vão para as vítimas, os seus entes queridos, as forças da ordem, na linha de frente nesta tragédia, padres e fiéis feridos na sua fé e esperança. Que o espírito de perdão de Cristo prevaleça diante destes atos bárbaros”, apela.

O responsável católico mostra a sua tristeza “infinita como ser humano, diante do que outros seres, ditos humanos, podem fazer”, condenando o que qualifica como “ato terrorista hediondo”.

A nota faz referência a outro ataque que aconteceu na cidade de Nice, na noite de 14 de julho de 2016, provocando a morte de 84 pessoas, e ao “assassinato selvagem” do professor Samuel Paty, a 16 de outubro.

Segundo as autoridades policiais, duas pessoas, um homem e uma mulher, foram mortas dentro da Basílica de Notre-Dame; uma terceira vítima, gravemente ferida, acabou por falecer num estabelecimento comercial próximo do templo, onde se tinha refugiado.

O autarca de Nice, Christian Estrosi, descreveu o ato desta manhã como um ataque terrorista, confirmando que o autor já foi detido.

D. Éric de Moulins-Beaufort, arcebispo de Reims e presidente da Conferência Episcopal Francesa (CEF), reagiu através do Twitter ao “drama de Nice”, com orações pelas vítimas e seus entes queridos.

“Deixo uma oração muito especial pelos diocesanos de Nice e por D. André Marceau, o seu bispo. Que saibam apoiar-se nesta provação e apoiar os que são provados na sua carne”, escreveu.

A CEF, através do seu porta-voz, lamentou este ato “inqualificável” e manifestou a preocupação de que os cristãos se transformem “num alvo a abater”.

Os sinos das igrejas de França vão dobrar, pelas 15h00 (menos uma em Lisboa), e os católicos são convidados a uma oração pelas vítimas.

O Conselho Francês de Culto Muçulmano (CFCM) publicou um comunicado de condenação do “ato terrorista”, convida a comunidade islâmica a manifestar “luto e solidariedade com as vítimas e seus entes queridos”.

Emmanuel Macron manifestou o apoio de toda a nação aos católicos da França e do mundo.

“Após o assassinato do pe. Jacques Hamel no verão de 2016, os católicos são novamente atacados no nosso país, ameaçados. Toda a nação está ao seu lado e assim permanecerá, a fim de que a religião continue a ser praticada livremente no nosso país”, referiu o presidente francês.

 

Também o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, manifestou a sua solidariedade com França  após o “abominável ataque” desta manhã, em Nice.

“Toda a Europa está convosco”, escreveu, numa mensagem publicada no Twitter.

Na mesma rede social, o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, mostrou-se “profundamente chocado e triste com a notícia do horrível ataque em Nice”.

“Esta dor é sentida por todos nós na Europa. Temos o dever de nos unirmos contra a violência e contra aqueles que procuram incitar e espalhar o ódio”, referiu.

O ataque acontece 13 dias após a morte do professor Samuel Paty, decapitado por um fundamentalista islâmico, e num contexto de forte tensão entre a França e vários responsáveis muçulmanos, após o início do julgamento sobre os ataques terroristas de janeiro de 2015 em Paris, incluindo à revista satírica Charlie Hebdo, em que morreram 17 pessoas.

OC
Notícia atualizada às 11h45

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