Provedor da instituição fala em mais de 220 funerais, no último ano

Foto: Ricardo Fortunato/RR

Lisboa, 31 out 2021 (Ecclesia) – O provedor da Irmandade de São Roque disse à Agência ECCLESIA e Renascença que muitos vivem e morrem sozinhos em Lisboa, tendo a instituição acompanhado mais de 220 funerais de corpos por reclamar só nos últimos 12 meses.

“A maior parte das pessoas não conhece os vizinhos do próprio prédio, porque sai de manhã para o trabalho, e encontram-se quando muito no elevador, à noite, quando voltam”, exemplifica Mário Pinto Coelho, convidado da entrevista semanal conjunta que é emitida e publicada aos domingos.

Segundo o responsável, a Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa acompanha estes funerais de pessoas que morrem sozinhas desde 2004, tendo vindo a registar um aumento no seu número.

“O ano passado tivemos 194, o que já foi substancialmente mais. Este ano, até 17 de outubro, foram 214, mas no dia seguinte já eram 215, agora já são mais de 220”, relata.

Mário Pinto Coelho fala da preocupação que têm em dar um funeral digno a quem morre sozinho, e diz que a pobreza, o isolamento e a falta de respostas sociais e de saúde estão por trás de muitos dos dramas a que assistem na cidade.

Este serviço – que responde a uma das obras de misericórdia da tradição católica, sepultar os mortos – conta permanentemente com 17 irmãos e voluntários.

O responsável assinala que o aumento da longevidade  – há mais de 5 mil idosos com mais de 100 anos em Portugal – leva a um aumento dos casos de solidão e isolamento, sem qualquer apoio ou suporte familiar.

“Era necessário haver um volume grande de unidades de cuidados continuados integrados, mas como sabem em Lisboa é muito raro”, indica.

O trabalho da Irmandade é um dos temas em destaque, este domingo, na emissão do Programa 70×7, pelas 17h30, na RTP2.

Ângela Roque (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

 

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