«Este fazer memória é trazer a vida deles também para nós e levarmos a nossa vida para eles» – D. Vitorino Soares

Faro, 03 nov 2026 (Ecclesia) – O bispo do Algarve presidiu aos Fiéis Defuntos e destacou as palavras “comemoração, pertença”, e “acreditar”, para ajudar a viver o sentido cristão desta celebração, na Eucaristia, esta segunda-feira, antes da procissão ao Cemitério da Esperança, em Faro.
“Sabemos que estão em Deus, estão na pertença a Deus. Podem não estar na totalidade, mas não estão perdidos; Quem confia n’Ele está sempre seguro”, disse D. Vitorino Soares, na homilia da Missa que presidiu no dia 2 de novembro, citado pelo jornal diocesano ‘Folha do Domingo’.
O bispo do Algarve destacou três palavras para ajudar a viver o sentido cristão da comemoração de todos os fiéis defuntos – “comemoração, pertença”, e “acreditar” –, e convidou os fiéis a renovarem a consciência de que os defuntos continuam a pertencer ao amor de Deus, e a aprofundarem a sua fé, numa atitude de esperança e confiança.
“Este fazer memória não é propriamente no sentido da nostalgia. Este fazer memória é trazer a vida deles também para nós e levarmos a nossa vida para eles”, explicou, na igreja nova de São Luís.

D. Vitorino Soares, sobre a “comemoração”, assinalou que recordar os defuntos não significa olhar para o passado ou alimentar a nostalgia, mas manter viva a relação com aqueles que fizeram parte da vida de cada pessoa, indicando que “a memória é o lembrar percursos”.
“Pertença”, a segunda palavra, está relacionada com a certeza que quem morre continua a fazer parte do amor de Deus, que é “clemente e cheio de compaixão” e não esquece nenhum dos seus filhos.
“Esse sentido de pertença é a consciência de que não estamos perdidos e que eles também não estão perdidos”, acrescentou, observando que essa convicção deve alimentar a esperança dos cristãos, uma vez que “não estão perdidos”.
A partir do Evangelho proclamado nas celebrações dos Fiéis Defuntos, da morte de Lázaro e a reação das irmãs, D. Vitorino Soares lembrou que Marta disse a Jesus: “Se tu estivesses aqui, o meu irmão não teria morrido”.
“A nossa fé não é propriamente um tesouro adquirido; este momento dos fiéis defuntos pode ser uma oportunidade também para nós pedirmos o dom da fé e podermos também crescer na fé”, acrescentou.
O bispo do Algarve enquadrou a comemoração dos Fiéis Defuntos no contexto da família maior a que todos pertencem, no início da Missa, recordando as três dimensões da comunhão dos santos: aqueles que já alcançaram a vitória, os que partiram e ainda aguardam a plenitude do amor de Deus, e os que continuam a caminhar na terra, na expetativa de contemplarem Deus, “que é luz e que é eternidade para todos”.
Após a Eucaristia realizou-se a procissão da igreja nova de São Luís até ao Cemitério da Esperança, em Faro, acompanhado pela recitação do rosário, por cânticos, e finalizada com a recitação do Credo; D. Vitorino Soares visitou o talhão do clero diocesano, onde fez uma oração pelos sacerdotes ali sepultados, informa o jornal ‘Folha do Domingo’.
CB/OC
| A ‘comemoração de todos os fiéis defuntos’ remonta ao final do primeiro milénio, o abade de Cluny, Santo Odilão, no ano 998, determinou que em todos os mosteiros da sua Ordem se fizesse nesta data a evocação de todos os defuntos ‘desde o princípio até ao fim do mundo’.
Este costume depressa se espalhou: Roma oficializou-o no século XIV e no século XV foi concedido aos dominicanos de Valência (Espanha) o privilégio de celebrar três Missas neste dia, prática que se difundiu nos domínios espanhóis e portugueses e ainda na Polónia. Durante a I Guerra Mundial, o Papa Bento XV generalizou esse uso em toda a Igreja (1915). |



