Joaquim Pinheiro, Diocese do Funchal

Pensar a felicidade como uma célula hermética e isolada não faz muito sentido. É com os outros, num espírito de partilha ou de troca exigente de ideias, que podemos construir algo com mais sentido.  No Novo Testamento, Jesus vai, muitas vezes, ao encontro de alguém, nem sempre um crente ou um indivíduo de boa reputação na sociedade. Estes encontros, por vezes surpreendentes, devem servir de alerta para a necessidade de olharmos os outros com sentido de proximidade e não com juízos de valor precipitados.

A recente Carta Encíclica “Fratelli Tutti”, do Papa Francisco, enfatiza, entre outros aspectos, a necessidade de uma cultura verdadeira de proximidade, enquanto expressão de amor pelo outro, seja qual for a língua, origem, cor ou religião. O mais importante é reconhecer a dignidade com que cada ser humano deve ser tratado. Num tempo em que os extremismos parecem ganhar cada vez mais força, a mensagem de proximidade, abertura e respeito, sem o objectivo de impor ou de dominar, deve renascer entre nós. Para isso, temos de saber sacrificar o ‘eu’ em prol de um sentido de comunidade mais forte e que seja expressão da “cultura do encontro” referida na Carta Encíclica. A própria situação de pandemia nos obriga a concluir que só uma estratégia comunitária nos permitirá ultrapassar este momento tenebroso, de forma a rapidamente recuperarmos uma alegria a partir do rosto do outro.

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