Jovem consagrada mudou de vida após experiência de voluntariado, em iniciativa promovida pelo Santuário

Lisboa, 06 jul 2022 (Ecclesia) – Marta Couto, dos Silenciosos Operários da Cruz, destacou a importância das férias para pais de pessoas com deficiência, promovidas pelo Santuário de Fátima, que regressam este ano após a interrupção provocada pela pandemia.

“Gostamos de dizer que é uma semana de relação, para estarmos uns com os outros, para aprendermos a relacionarmo-nos e no meio temos algumas atividades. O mais importante é estarmos juntos”, disse à Agência ECCLESIA.

As férias para pais de pessoas com deficiência têm como tema ‘Vem para o meio’, vão realizar-se em cinco turnos, entre 20 de julho e 31 de agosto.

Este é o 14.º ano em que o Santuário de Fátima proporciona este momento a crianças, aos jovens, e aos seus pais, um projeto interrompido em 2020 e 2021 devido à pandemia de Covid-19.

Marta Couto destaca que no centro desta iniciativa estão “aqueles que normalmente são colocados de parte”, porque as pessoas com deficiência “tantas vezes não têm lugar, não têm espaço”, e estes pais “sentem tanto isto na sociedade”.

Às vezes, quase sem querer, uma pessoa passa na rua e vê alguém com deficiência ou no café e quase que tem a tendência para desviar o olhar, ou ir sentar-se o mais longe possível. Para além de todo o cansaço físico dos pais, a nível psicológico causa um grande desgaste, e nestas férias acabam por ver que são o centro da nossa atenção”.

Em cada semana de férias, o programa prevê diversos momentos e atividades de convívio e de celebração, de lazer e culturais, e, por exemplo, os participantes vão Santuário de Fátima, aos Valinhos, à Praia das Rocas, Castanheira de Pêra.

Segundo a entrevistada, há cerca de 50 pessoas por turno, contabilizando as pessoas com deficiência, os seus pais, voluntários, e membros da congregação religiosa.

“Quem vem pela primeira vez, muitas das vezes, vem a medo, muitos dos contactos que temos com os pais é de receio: ‘Vou deixar o meu filho aonde, nunca esteve sozinho, não sabe o que é dormir fora de casa’. Há este misto de emoções”, explica, em entrevista emitida hoje no Programa ECCLESIA (RTP2).

Marta Couto assinala que, durante a semana, “conforme se vai criando amizade, criando relação”, as pessoas acabam por se envolver e conseguir “criar um ambiente muito familiar”, e, no final da semana, dizem, “quase sempre, agora é que podia começar”, com os pais a tentarem inscrever-se para o ano seguinte.

A jovem consagrada partilha a imagem de alguém que está na praia ou na piscina, “vai para debaixo de água e, a certa altura, tem necessidade de vir cá fora ganhar um respiro para voltar a meter-se debaixo de água”.

“E estas férias acabam por ser um pouco isto. É um ano inteiro, com todo o amor e carinho que têm pelos seus filhos, e vemos um amor extraordinário, mas que é desgastante. E este vir e poder usufruir destas férias é como vir à margem, respirar um bocadinho, e ganhar oxigénio para voltar a emergir e quase que ganham um alento para todo o ano”, desenvolve.

As férias para crianças e jovens com deficiência e aos seus pais, do Santuário de Fátima, realizam-se no Centro Francisco e Jacinta Marto, dos Silenciosos Operários da Cruz, em Fátima, situada na Estrada de Minde.

Marta Couto recorda também que começou a colaborar nesta iniciativa como voluntária, em 2013, e este ano é a primeira vez que participa como membro da comunidade religiosa.

“Foi uma experiência tão emocionante, e que mudou de tal maneira a minha vida e perceção da realidade, que decidi abraçar esta realidade da vida e da promoção da pessoa que sofre”, realça.

PR/CB/OC

 

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