Fátima: D. José Cordeiro traz à peregrinação de outubro as preocupações das famílias com o trabalho e a habitação

Vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa deixa apelos ao Governo

Foto: Agência ECCLESIA/OC

Fátima, 12 out 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga apelou hoje ao Governo que procure respostas para a crise da habitação e do mundo laboral, capazes de apoiar as famílias portuguesas, perante o impacto da crise global.

“A situação que estamos a viver no nosso país, como consequência daquilo que acontece ao nível global, afeta as famílias”, alertou D. José Cordeiro, na conferência de imprensa de apresentação da peregrinação internacional do 13 de outubro, a que vai presidir em Fátima.

O vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) assumiu que a Igreja tem de ser um “sinal profético” e levar as preocupações das populações junto de quem governo.

“Esse apelo permanente para a construção do bem comum, para a dignidade da pessoa humana, para a dignificação do trabalho, da vida em família, das condições para a habitação, das políticas que sejam mais amigas da família, que seja um desenvolvimento integral e integrado”, precisou.

O arcebispo de Braga apontou as “guerras em curso” e a “má orientação” internacional como as causas do agravamento da crise, defendendo “políticas que sejam mais amigas da família”.

D. José Cordeiro destacou a “ação social” da Igreja Católica, em Portugal, através de redes como as IPSS, as Misericórdias, a Cáritas ou as Conferências Vicentinas no socorro aos idosos e aos jovens.

Foto: Agência ECCLESIA/OC

O encontro com os jornalistas contou também com a presença do bispo de Leiria-Fátima. D. José Ornelas, o qual denunciou o aproveitamento económico da atual crise internacional, exigindo consensos sociais para resolver a escalada de preços e a falta de habitação.

“Temos de encontrar soluções para os problemas da habitação”, alertou.

O responsável católico criticou as agendas centradas em lucros imediatos, comparando o impasse negocial a uma postura “mais de vendilhões do que de buscas sensatas de soluções”.

O bispo de Leiria-Fátima exemplificou esta lógica nociva com a disputa sobre os combustíveis, acusando as partes de tentarem “privatizar” as respostas coletivas a uma aflição mundial.

“Se nos faltar um sentido de mãe ou um sentido de pai, não há possibilidade de sermos irmãos”, advertiu D. José Ornelas.

O responsável católico sustentou que a mensagem da Cova da Iria inspira os peregrinos a travarem os extremismos e a exigirem que os decisores “ponham fim a essa conflitualidade constante”.

A intervenção apelou a uma “humanização” das relações entre as pessoas e com a natureza.

“Se não mudarmos a mentalidade e o modo de estar, de nos relacionarmos com os outros, com este planeta, em termos políticos, em termos económicos e em termos sociais, os problemas vão permanecer sem solução”, advertiu D. José Ornelas.

A Peregrinação Internacional Aniversária de Outubro faz memória da sexta aparição na Cova da Iria, que reuniu dezenas de milhares de pessoas em 1917.

Os participantes nas celebrações vão rezar, em particular, pela recuperação de Leão XIV, que vai ser internado esta terça-feira para uma intervenção cirúrgica, a fim de retirar um nódulo num pulmão.

OC

Partilhar:
Scroll to Top