Arcebispo português faz a reflexão diária do Encontro Internacional das Equipas de Nossa Senhora

Fátima, 18 jul 2018 (Ecclesia) – O arcebispo português D. José Tolentino Mendonça afirmou hoje que amar “é estar disposto a esperar pelo outro de uma forma incondicional” e a “adotar” a passividade do pai da parábola do Filho Pródigo, numa reflexão em Fátima.

“Há uma passividade que é própria do amor, o amor não é só uma forma de atividade”, disse o orador no Encontro Internacional das Equipas de Nossa Senhora.

A segunda meditação da reunião que termina este sábado centrou-se no versículo da parábola do ‘Filho Pródigo’ onde o «filho partiu para um país distante e dissipou os seus bens».

Para o arcebispo português a frase “desafia a uma revisão de vida” e realçou que é “muito interessante” o pai da história que “não tem reação ativa”.

“Amar é estar disposto a esperar pelo outro de uma forma incondicional. Leve o tempo que levar estou à espera de ti. Amar é adotar aquela passividade do pai da parábola”, salientou na Basílica da Santíssima Trindade.

Segundo D. José Tolentino esta “forma sublime de passividade” não é desinteresse com o bem do outro mas uma forma de “entrar em diálogo com a ferida” que o outro “transporta e que o condiciona”.

“Amar, e amar em casal, em família, é tocar com delicadeza este fundo confuso que habita cada um de nós e procurar iluminá-lo na fé, na caridade”, disse aos cerca de 8300 casais, dos cinco continentes, que estão em Fátima.

Na sua intervenção, explicou que “o ponto firme daquele que ama é, por isso, não desistir” e desejou que os casais “se amparem assim”, sem a “expectativa de pessoas perfeitas”.

Neste contexto, o sacerdote, que acompanha Equipas de Nossa Senhora há 28 anos, observou que “um obstáculo à felicidade” é a procura “idealizada de uma perfeição de catálogo” e não o reconhecimento objetivo de pessoas reais, de carne e osso, “que têm de se encontrar, descobrir e amar”.

D. José Tolentino Mendonça a partir da frase do Evangelho que conduziu a reflexão alertou que “é tão fácil perder de vista o essencial”, afinal, “sem trabalho permanente” de atenção à realidade os casais podem acabar “prisioneiros da rotina”.

“Entregamos a condução da nossa vida a um piloto sonolento e automático e perdemos aos poucos a capacidade de ativar as dimensões profundas do amor”, exemplificou, incentivando a que em casal e família se questionem se não estão “a viver num país distante”.

“Isso acontece, por exemplo, quando relegamos a vida familiar para um segundo plano nas nossas prioridades; Temos de questionar-nos se nos empenhamos de facto em qualificar a nossa família”, desenvolveu.

O futuro arquivista e bibliotecário da Santa Sé pediu aos casais que sintam o “maravilhoso sacramento” que é o matrimónio como “vocação e missão” que ainda precisam de “descobrir” e que no encontro mundial intitulado ‘Reconciliação, sinal de amor’ são “chamados a renovar”.

Depois das manhãs de reflexão, todas as tardes, até sexta-feira, os casais dividem-se em quatro grupos e participam em diferentes atividades onde se destaca o musical ‘A Caminho’, no Centro Pastoral Paulo VI.

Esta quinta-feira de manhã vão participar na iniciativa ‘O dever de sentar’, que vai preencher a esplanada de oração do Santuário de Fátima, e à noite, por exemplo, está programada uma vigília na Basílica de Nossa Senhora do Rosário.

O programa ‘Ecclesia’ na Antena 1, da RDP, está semana no contexto do Encontro Internacional das Equipas de Nossa Senhora transmite o testemunho de vários casais, às 22h45, até sexta-feira, 20 de julho, que ficam disponíveis no sítio online da Agência ECCLESIA.

CB

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