Moçambique: Encontro dedicado a D. Manuel Vieira Pinto vai recordar «património» do arcebispo português, em Nampula
«É de grande prejuízo para a sociedade moçambicana, para a Igreja, esquecer o património de D. Manuel Vieira Pinto» – Padre José Luzia

Nampula, Moçambique, 23 jul 2026 (Ecclesia) – O padre José Luzia alertou para o “grande prejuízo” que é “esquecer o património de D. Manuel Vieira Pinto”, para a sociedade e para a Igreja em Moçambique, no contexto do encontro de reflexão, dia 25 de julho, em Nampula.
“É de grande prejuízo para a sociedade moçambicana, é de grande prejuízo para a Igreja de Nampula, e para a Igreja de Moçambique, esquecer o património de D. Manuel Vieira Pinto, a herança que ele deixou”, disse o missionário português, que trabalhou desde os 22 anos com o antigo arcebispo de Nampula, citado pelo portal online ‘Vatican News’.
D. Manuel Vieira Pinto, natural da Diocese do Porto, foi nomeado arcebispo de Nampula, no norte de Moçambique, a 4 de junho de 1984, e resignou a 18 de janeiro de 1998.
Em Nampula, um encontro de reflexão dedicado ao arcebispo português pretende reunir fiéis, investigadores e cidadãos para encontrar formas concretas de preservar o legado de D. Manuel Vieira Pinto, este sábado, dia 25 de julho, na biblioteca que tem o nome do antigo arcebispo.
O padre José Luzia, que chegou há 57 anos a Nampula, afirma que “o bispo Manuel ficou no coração do povo moçambicano”, e é necessário “tentar evitar o esquecimento dessa figura, não por ele porque morreu, as homenagens não resolvem nada”.
Segundo o sacerdote, D. Manuel Vieira Pinto, então bispo de Nampula, em 1971, dizia que estava “na hora de viragem, de uma Igreja ainda muito clerical para uma Igreja mais povo de Deus”, palavras que o Papa Francisco, 60 anos depois, “vem repor”.
“Onde todos, todos, padres, religiosos, leigos tenham consciência da sua vocação, tenham consciência da sua corresponsabilidade. É o Papa Francisco que, uns anos depois, vem fazer isto, criamos uma Igreja sinodal, participativa, como Vieira Pinto dizia, onde todos tenham voz para concordar e para discordar”, acrescentou o missionário.

No contexto do encontro dedicado a D. Manuel Vieira Pinto, que vai ser realizado este sábado, em Nampula, o padre José Luzia incentiva os jovens a lerem os documentos do antigo arcebispo, porque “aprendem história da Igreja de Moçambique, aprendem a história de Moçambique”, o que “é importante”, desafiando-os a não “gastarem muito tempo com os telemóveis”.
“O que eu acho fundamental, hoje, é que os jovens que tanto protestam pela sua falta de oportunidade, que aproveitem”, explicou.
O padre José Luzia lamentou que o centenário do nascimento de D. Manuel Vieira Pinto há três anos, em 2023, não tenha tido iniciativas de grande relevo, que é sinal do esquecimento, e como desafio destaca a criação de uma fundação dedicada ao antigo arcebispo português de Nampula.
Em 2017, o missionário publicou um livro sobre D. Manuel Vieira Pinto com o título ‘O visionário de Nampula’ (Paulinas Editora), e recordou, à Rádio Vaticano, que o então ministro da Educação moçambicano, Jorge Ferrão, disse que foi o ‘visionário de Moçambique, não só de Nampula’.
D. Manuel Vieira Pinto faleceu aos 96 anos de idade, no dia 30 de abril de 2020, na Casa Sacerdotal da Diocese do Porto.
CB


