Igreja/Cultura: Mosteiro de São Vicente de Fora acolhe a exposição «Esculpindo a Luz»
Lisboa, 19 out 2026 (Ecclesia) – O Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, tem patente, até 31 de janeiro de 2027, a exposição de pintura «Esculpindo a Luz – procurando novos caminhos na pintura», da autoria de João Alvim.
A mostra reúne 20 obras que propõem uma “reflexão sobre a materialidade da pintura e a experiência de contemplar uma obra de arte presencialmente, num tempo marcado pela crescente presença das imagens digitais e da inteligência artificial”, realça uma nota enviada à Agência ECCLESIA.
A exposição convida os visitantes a descobrir uma abordagem “à pintura que privilegia a textura, o relevo e a relação entre a luz e a escuridão”.
Segundo o comunicado de apresentação, as obras “partem de uma pergunta: que lugar resta à pintura num tempo dominado pelo ecrã e pela imagem gerada por inteligência artificial?”.
A resposta proposta passa por “um regresso à matéria – telas com relevo, espessura e peso, que só se revelam por inteiro quando vistas ao vivo”.

O processo criativo de João Alvim começa na preparação do suporte, trabalhado com misturas de materiais de revestimento que criam sulcos, rugosidades e relevos.
Como explica o comunicado, “a tela, em grande formato 120×140, ganha uma topografia própria e passa a reagir à luz: a obra muda consoante a posição de quem a observa e a iluminação ambiente”.
Esta dimensão material confere às pinturas um carácter que ultrapassa a representação visual, valorizando a relação entre a superfície, a luz e o olhar de quem contempla cada obra.
Outra característica da exposição é a utilização do negro como ponto de partida para cada composição, em contraste com a tradição ocidental do fundo branco.
De acordo com a nota de imprensa, “a cor resulta do encontro com essa sombra: camadas espessas de tinta alternam com velaturas transparentes, que ora escondem, ora deixam ver a profundidade do fundo”.
O resultado é um conjunto de obras em que a cor e a luz emergem progressivamente da escuridão, criando diferentes efeitos visuais consoante as condições de observação.
O gesto, a intuição e o acaso assumem igualmente um lugar central no trabalho do artista. As pinturas “guardam o tempo em que foram feitas e a marca física da mão” e, por isso, “recusam ser vistas apenas à distância de um clique”, sublinha o comunicado.
João Alvim sintetiza esta abordagem afirmando que “na era da imagem imaterial e do ecrã luminoso, o regresso à textura física da tela e à escuridão primordial afirma-se como um ato de libertação criativa”.
LFS
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Um percurso artístico com várias exposições João Alvim frequentou os cursos de Pintura e de Arquitetura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, bem como o atelier do professor Carlos Amado. Licenciou-se em Comunicação Visual, Publicidade e Artes Plásticas no Instituto Superior de Saint-Luc, em Bruxelas. Expõe regularmente desde 1991, tendo participado em diversas exposições. Entre os trabalhos apresentados ao longo do seu percurso contam-se ‘Padre António Vieira’, na Reitoria da Universidade de Lisboa, e ‘Olhares cruzados, palavras pressentidas’, dedicada aos Painéis de São Vicente. A exposição temporária ‘Esculpindo a Luz – procurando novos caminhos na pintura’ está patente na Galeria Exposições do Mosteiro de São Vicente de Fora, até ao dia 31 de janeiro de 2027, podendo ser visitada todos os dias, das 10h00 às 19h00 até 31 de outubro (última entrada 18h00), e das 10h00 às 18h00 a partir de 1 de novembro (última entrada às 17h00). |

