Guarda: Novo órgão de tubos da Sé vai ser inaugurado com concerto

«É um enriquecimento para quem aqui habita, para quem visita, para quem passa por cá», destaca o bispo sobre o instrumento

Foto: Diocese da Guarda

Guarda, 06 nov 2026 (Ecclesia) – O novo órgão de tubos da Sé da Guarda vai ser benzido e inaugurado no dia 27 de novembro, pelas 17h30, com um concerto de música barroca, foi anunciado esta quinta-feira em conferência de imprensa realizada na ExpoEcclesia, naquela cidade.

“Foram muitos a sonhá-lo [órgão] e agora finalmente é possível concretizar. O órgão dá a oportunidade à Sé de um conjunto de oferta, seja espiritual, seja cultural e artística, que é um enriquecimento para quem aqui habita, para quem visita, para quem passa por cá”, afirmou o bispo da Guarda, D. José Pereira, em declarações aos jornalistas enviadas à Agência ECCLESIA

Já instalado, o instrumento com mais de mais de 2600 tubos, cerca de oito metros de altura, quase cinco metros de largura e aproximadamente seis toneladas, começou a ser montado a 27 de outubro, depois de ter chegado à cidade no dia anterior.

O bispo diocesano espera que o novo órgão contribua também para uma maior aproximação entre a Igreja, as instituições culturais, o Conservatório de Música e as escolas.

Além disso, o responsável católico defende que que a realização de concertos deve respeitar a natureza da catedral enquanto espaço de culto, privilegiando repertórios que contribuam para elevar o espírito e a dimensão artística e espiritual dos participantes.

“Como é uma igreja que está ao culto, é preciso que os concertos que aí se dinamizem não desdigam da realidade enquanto espaço de celebração da comunidade cristã, da cidade e da diocese”, expressou.

Foto: Diocese da Guarda

A conferência de imprensa contou também com a presença do presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, que, em declarações aos jornalistas, manifestou satisfação pela montagem do órgão de tubos da Sé, ao fim de “algumas décadas”.

Enquanto Presidente da Câmara da Guarda, enquanto cidadão desta cidade, enquanto diocesano desta nossa diocese, da antiga Egitânia, da diocese da Guarda, é com muito orgulho que hoje anunciamos e confirmamos que o dia 27 de novembro é o dia D”, referiu.

O autarca recordou que o caminho até aqui foi marcado por “percalços técnicos”, “financeiros” e “alguns políticos” e destacou que o financiamento do órgão foi possível graças à colaboração entre a diocese, o município, o Estado Central e os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência, num valor superior a 1 milhão de euros.

“Mas é justo e é merecido. E dizer que ou este dinheiro era gasto, investido neste projeto, ou não poderia ser investido em qualquer outro projeto”, assinalou.

A inauguração do novo instrumento é, segundo Sérgio Costa, “uma grande notícia para a Guarda”, para a “cultura” da cidade, para a sua candidatura “a capital portuguesa da cultura”, para a revitalização do centro histórico e para “o futuro património da Unesco”.

“É a única Sé Catedral que não tinha um órgão de tubos. E a partir do dia 27 de novembro, se Deus quiser, vai passar a ter, com esse concerto inaugural e que estamos todos desejosos que possa acontecer”, sublinhou.

O concerto vai ser interpretado pelo organista espanhol Carlos Bollo, titular do órgão da Catedral de León.

Dois dias depois, a 29 de Novembro, às 16h, realiza-se um segundo concerto, dedicado à música romântica, com o organista António Esteireiro e o violoncelista Nelson Ferreira.

Foto: Diocese da Guarda; Padre José Luís

O padre José Luís Farinha, que será o organista titular e ficará responsável pelo acompanhamento e conservação do instrumento, salienta a versatilidade do órgão, que combina características da tradição alemã do Norte da Europa, da organaria ibérica dos séculos XVII e XVIII e da escola francesa.

O sacerdote explica que uma das particularidades que a peça tem é um dispositivo denominado “rouxinol”, que utiliza ar e água para reproduzir o canto destas aves: “Depois pode ser combinado com outro registo, sobretudo as flautas, e que produz uns efeitos muito interessantes”.

Para José Luís Farinha, o órgão vem completar a dimensão musical e artística da catedral, permitindo, além da função nas celebrações litúrgicas, desenvolver uma programação cultural e promover diferentes estilos musicais.

O sacerdote considera também que a estrutura em madeira contribui para valorizar esteticamente o interior da Sé.

“Creio que a solução da sua colocação no transepto foi uma solução encontrada para minorar outros problemas que existiam, mas que acaba por ser também um elemento estético que embeleza e que dá também mais um bocadinho de calor”, referiu.

A instalação do instrumento, construído pelo organeiro e organista francês Frédéric Desmottes, nas oficinas da Organaria Frédéric Desmottes, em Landete, Espanha, representa o culminar de um processo iniciado em 2020, embora a recuperação da tradição organística da catedral seja uma aspiração com várias décadas.

A Sé da Guarda perdeu o antigo órgão durante a terceira invasão francesa, em 1812, quando os tubos terão sido retirados para o fabrico de balas de mosquete.

LJ/

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