«Esmagadora maioria da sociedade portuguesa nunca aplicará esta lei» – António Pinheiro Torres

Lisboa, 20 fev 2020 (Ecclesia) – Milhares de pessoas participaram hoje numa concentração diante da Assembleia da República, em protesto contra as propostas de legalização da eutanásia, em discussão e votação no Parlamento.

António Pinheiro Torres, vice-presidente da FPV, disse perante os manifestantes que, “aconteça o que acontecer, a esmagadora maioria da sociedade portuguesa nunca aplicará esta lei”.

José Ribeiro e Castro, um dos mandatários da Iniciativa Popular de Referendo, referiu à Agência ECCLESIA que este é um “dia muito triste” na vida democrática em Portugal, questionando a legitimidade do Parlamento para decidir sobre esta matéria.

“O dia de hoje é dos dias mais tristes da história portuguesa, um dia muito triste na nossa democracia, porque é o dia de uma tentativa de contrarrevolução legislativa, que procura destruir a garantia fundamental inscrita na Constituição: a vida humana é inviolável”, sustentou.

Para o antigo líder do CDS, é necessário dar “voz ao povo soberano”, em referendo, sobre matéria “fundamental” para a sociedade.

A concentração iniciou-se por volta das 12h30, com várias palavras de ordem, como ‘Vida sim, morte não’.

Isilda Pegado, presidente da Federação Portuguesa pela Vida (FPV), falou num país “mobilizado” nesta causa, em defesa “de uma lei humanista, uma lei que preserve vidas, que dê condições de saúde a todos os portugueses”.

““Exigimos o respeito pela vontade popular”, referiu aos manifestantes.

Durante a iniciativa, decorreu a recolha assinaturas para realização de um referendo para travar a legalização da eutanásia, que tem o apoio da Conferência Episcopal Portuguesa.

António Pinheiro Torres espera que aquando das primeiras contagens, a 4 de março, tenham sido atingidas as 60 mil assinaturas necessárias para o Parlamento discutir a proposta.

Sofia Guedes, fundadora do ‘Stop Eutanásia’, indicou à Agência ECCLESIA que este é um momento de “despertar as consciências” e promover “uma revolução cultural e humana”, por considerar que esta em causa, nas propostas de lei em debate, a “morte de uma sociedade”.

“Isto é usar o desespero das pessoas para as encostar à morte”, acusou.

Em 2018, o parlamento debateu projetos de despenalização da eutanásia, apresentados pelo PS, BE, PAN e Verdes, que foram rejeitados, numa votação nominal dos deputados.

Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, considera que a prioridade deveria passar por um investimento, em conjunto com o Estado e a sociedade civil, nos cuidados paliativos.

“Acho que temos ao nosso alcance muitas possibilidades de seguir outro caminho”, disse à ECCLESIA.

“Somos a favor da vida em todas as suas circunstância e em qualquer condição que a pessoa se encontre”, acrescentou.

O responsável enviou uma carta aberta ao Parlamento, na qual pede que a aposta dos deputados seja “dar mais dignidade à vida”.

Entre os manifestantes estava Maria Leitão, de Lisboa, para quem houve falta de debate e existe falta de informação, assumindo-se como “pró-vida”

“Sou a favor dos valores, de uma sociedade com valores, e sou contra uma sociedade que queira acabar com os valores. Isto é uma política contra a vida, contra o amor, contra a liberdade”, afirmou.

Um dos jovens que se dedicou à recolha de assinaturas foi Bernardo Reis, que à ECCLESIA justificou esta decisão: “Estamos a tentar que o Parlamento nos oiça, porque é uma coisa que ainda não fizeram”.

“Isto não pode ser aceite, não pode seguir em frente, e queremos marcar esta posição”, prosseguiu.

A Assembleia da República decide hoje, na generalidade, sobre os cinco projetos de lei  – BE, PS, PAN, PEV e Iniciativa Liberal – que preveem a legalização da eutanásia em Portugal, com uma votação nominal.

OC

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