Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia defende abordagem centrada no ser humano

Bruxelas, 21 jul 2020 (Ecclesia) – A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE) apelou à regulamentação ética da inteligência artificial, num contributo para o debate em curso sobre o tema, promovido pela Comissão Europeia.

Os bispos católicos defendem que as instituições da União Europeia devem adotar “uma abordagem centrada no homem”, a fim “de promover o bem comum e de servir a vida de todos os seres humanos, tanto nas suas dimensões pessoais como nas comunitárias”.

No comentário ao documento redigido pela Comissão Europeia sobre o tema da inteligência artificial (‘Consultation on the White Paper on Artificial Intelligence – A European Approach’), A COMECE saúda a intenção de “estabelecer uma sólida abordagem europeia da inteligência artificial (IA), profundamente enraizada na dignidade humana e na proteção da privacidade”.

O documento questiona, contudo, a possível criação de uma nova Agência da UE dedicada a essa questão, considerando que “as atuais estruturas-chave da União já oferem um apoio suficiente para enfrentar os desafios colocados pela IA e pela robótica”.

A COMECE recorda que Igrejas têm um estatuto específico como “parceiras das instituições europeias” e sublinha a importância de um “discurso sobre ética social que acompanhe a discussão política sobre a regulamentação da IA”.

Em fevereiro, o Vaticano promoveu a assinatura de um apelo conjunto com representantes da IBM, Microsoft e FAO (Nações Unidas) para pedir uma avaliação dos efeitos das tecnologias ligadas à inteligência artificial e os riscos que envolvem.

A iniciativa foi organizada pela Academia Pontifícia para a Vida (APV), encerrando o workshop ‘O bom algoritmo? Inteligência artificial: ética, leis, saúde’.

O apelo foi assinado pelo presidente da APV, D. Vincenzo Paglia; pelo presidente da Microsoft, Brad Smith; por John Kelly III, vice-diretor executivo da IBM; e o diretor-geral da FAO – organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, Qu Dongyu.

Numa mensagem enviada aos participantes, o Papa destacou que “o desenvolvimento ético dos algoritmos – a algor-ética – pode ser uma ponte para que esses princípios entrem concretamente nas tecnologias digitais, por meio de um diálogo interdisciplinar eficaz”.

OC

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