Bispos portugueses deixam alertas sobre corrupção, migrantes e unidade europeia

Fátima, 02 mai 2019 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) defende na sua nova carta pastoral que “o bem comum é o bem de todos e de cada um”, sem representar uma “ditadura da maioria”.

“A democracia, que supõe o respeito pela regra da maioria, não pode assentar no seu domínio absoluto. Se num país a classe média constitui a maioria da população e os pobres são minoria e não têm peso eleitoral decisivo, o bem comum exige que os direitos destes não sejam esquecidos ou menosprezados”, afirmam os bispos portugueses.

Na Carta Pastoral ‘Um olhar sobre Portugal e a Europa à luz da Doutrina Social da Igreja’, apresentada hoje em Fátima, a CEP destaca que este exemplo vale, de modo especial, para muitas das regiões do interior que “sofrem a desertificação populacional, agravada pelo encerramento de serviços públicos”, que não têm peso eleitoral decisivo e cujos problemas foram “evidenciados depois das tragédias dos incêndios dos últimos anos”.

O texto reflete sobre “o bem comum e a corrupção” e considera que “urge uma pedagogia ativa” junto de todos, para que se entenda como o que pode parecer inocente “coloca em vantagem os que têm mais acesso ao poder”.

“Uma gratificação a troco de um pequeno favor pode ser o primeiro passo para uma cultura que desculpa o suborno, o tráfico de influências e a aquisição indevida de vantagens, até à corrupção, que tanto está a minar a sociedade em que vivemos”, exemplificam os bispos.

Lembrando que todos são “responsáveis e a erradicação da corrupção é possível”, a CEP realça que não se podem “desvalorizar as consequências sociais” de comportamentos no recurso à “cunha”, à obtenção de vantagens que são indevidas e “à retribuição de pequenos favores”.

Temos, cada um, de proceder com a mesma transparência que exigimos a todos na obtenção de um emprego ou na luta por uma promoção, um salário justo ou um prémio laboral”.

Já em relação aos migrantes, os bispos católicos consideram “inaceitáveis” as correntes inspiradas no “nacionalismo de exclusão”.

“Não estamos imunes a um clima de medo e desconfiança em relação aos estrangeiros, bem como o perigo de os encarar como concorrentes a postos de trabalho ou ameaça ao nosso nível de vida, esquecendo que muitos de nós buscam o mesmo estatuto e nível de vida noutros países”, desenvolvem, destacando que os dados mais recentes do Observatório para as Migrações os contributos financeiros dos imigrantes para o Estado português “são maiores do que as prestações de que beneficiam”.

Sobre o momento atual, o documento alerta para “movimentos de desagregação da União Europeia”, como o Brexit e o crescente nacionalismo “autoritário ou populista”, acompanhados da generalização do discurso xenófobo, ao regresso de ideologias neonazis e antissemitas, e o islamofobismo é, simultaneamente, “origem e consequência de novos movimentos de cariz terrorista”.

A nova carta pastoral foi apresentada hoje, no final da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa.

CB/PR

Um olhar sobre Portugal e a Europa à luz da doutrina social da Igreja

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