Francisco apela ao diálogo e à promoção da estabilidade no Médio Oriente, em discurso ao corpo diplomático acreditado na Santa Sé

Cidade do Vaticano, 09 jan 2020 (Ecclesia) – O Papa Francisco alertou hoje no Vaticano para os sinais “preocupantes” que chegam do Médio Oriente, face à escalada de tensão que se verificou nos últimos dias entre os Estados Unidos da América e o Irão.

“Particularmente preocupantes são os sinais que chegam de toda a região, após o recrudescimento da tensão entre o Irão e os Estados Unidos que se arrisca, antes de tudo, a provar duramente o lento processo de reconstrução do Iraque, bem como a criar as bases dum conflito em larga escala que todos gostaríamos de poder esconjurar”, declarou, no seu encontro anual com os membros do Corpo Diplomático acreditados junto da Santa Sé, entre os quais não se inclui qualquer representante de Teerão.

À imagem do que fez no último domingo, o Papa deixou um apelo a todas as partes envolvidas para que “evitem um agravamento do conflito e mantenham acesa a chama do diálogo e do autocontrolo, no pleno respeito da legalidade internacional”.

Após a morte do general iraniano Qassem Soleimani, numa operação militar norte-americana, o Irão bombardeou bases militares dos EUA no Iraque.

Esta quarta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que o Irão “aparenta estar a recuar”, mas que os Estados Unidos vão continuar a avaliar as “opções” de resposta.

Além deste conflito, o Papa referiu que há necessidade de uma intervenção da comunidade internacional “noutros pontos da região mediterrânica e do Médio Oriente”.

Francisco denunciou a “cortina de silêncio” sobre a guerra que “devastou” a Síria durante a última década.

“É particularmente urgente encontrar soluções adequadas e clarividentes que permitam ao querido povo sírio, exausto da guerra, encontrar a paz e começar a reconstrução do país”, apelou, agradecendo ao Líbano e à Jordânia por terem recebido “milhares de refugiados” da Síria.

Segundo o Papa, existem fatores de incerteza económica e política, no Líbano e noutros Estados, que “estão a causar tensões entre a população, colocando ainda mais em risco a frágil estabilidade do Médio Oriente”.

A intervenção evocou a situação do Iémen, considerando que ali se vive “uma das mais graves crises humanas da história recente, num clima de indiferença geral” por parte da comunidade internacional, e na Líbia, que “há muitos anos vive uma situação conflituosa, agravada pelas incursões de grupos extremistas e por uma nova escalada de violência”.

Este contexto é terreno fértil para o flagelo da exploração e tráfico de seres humanos, alimentado por pessoas sem escrúpulos que exploram a pobreza e o sofrimento daqueles que fogem de situações de conflito ou de pobreza extrema”.

Francisco pediu mais atenção para as “milhares de pessoas, com necessidades humanitárias e legítimos pedidos de asilo e proteção verificáveis, que não são adequadamente identificadas”.

“Muitos arriscam a vida em perigosas viagens por terra e sobretudo por mar. Com mágoa, continua-se a constatar como o Mar Mediterrâneo permanece um grande cemitério. Por isso, é cada vez mais urgente que todos os Estados se responsabilizem por encontrar soluções duradouras”, advertiu.

O Papa falou ainda da situação na Terra Santa, para “lembrar à Comunidade Internacional inteira a urgência de confirmar, com coragem, sinceridade e no respeito pelo direito internacional, o seu compromisso e apoio ao processo de paz entre Israel e a Palestina”.

A apresentação de cumprimentos de Ano Novo, por parte dos representantes diplomáticos acreditados junto da Santa Sé, decorreu na sala régia do Palácio Apostólico do Vaticano.

OC

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