Presidente da Conferência Episcopal diz que manifestações são grito de «frustração e raiva»

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 02 jun 2020 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América (USCCB) condenou, numa série de comunicados, a morte de George Floyd, na sequência de brutalidade policial, questionando a persistência de atitudes racistas na sociedade norte-americana.

D. José H. Gómez, arcebispo de Los Angeles e presidente da USCCB, fala numa “morte brutal e sem sentido, um pecado que clama justiça ao céu”.

Floyd, um homem negro de 46 anos, morreu a 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante largos minutos, apesar dos seus alertas de que não conseguia respirar.

Os bispos católicos esperam que as autoridades civis conduzam uma investigação que leve os responsáveis por esta morte à justiça, afirmando entender “a frustração e a raiva” dos afro-americanos, que “ainda hoje sofrem humilhações, tratamentos que degradam a sua dignidade e discriminações por causa da sua raça e cor da pele”.

“Rezo por George Floyd e os seus entes queridos e, em nome dos bispos, partilho a indignação da comunidade negra e daqueles que estão ao seu lado em Minneapolis e em todo o país”, afirma o arcebispo de Los Angeles.

Para D. José H. Gómez, é necessário “ir à raiz da injustiça racial que ainda atinge muitas áreas da sociedade americana”.

O presidente da USCCB apela ao fim da violência nas ruas afirmando que os desacatos são contraproducentes.

“Não devemos permitir que se diga que George Floyd morreu em vão. Devemos honrar o seu sacrifício, eliminando o racismo e o ódio dos nossos corações e renovando o nosso compromisso de cumprir a promessa sacrossanta da nossa nação de ser uma comunidade que garante vida, liberdade e igualdade para todos”, conclui.

Este domingo, o arcebispo de St. Paul e Minneapolis, D. Bernard Hebda, rezou pela paz e pelo fim dos confrontos, evocando a “grande mágoa” que é sentida na comunidade pela “morte de um homem que não deveria ter morrido”.

Protestos contra a violência policial e o racismo decorreram, nos últimos dias, em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Esta segunda-feira, o presidente dos EUA, condenou a violência que marcou as manifestações, com registo de mortes e destruição de edifícios.

“O derramamento de sangue humano é uma ofensa contra a humanidade e um crime contra Deus”, considerou Donald Trump, que se deslocou depois à igreja episcopal de São João, localizada perto da Casa Branca, atingida na sequência de atos de vandalismo.

Para que o chefe de Estado norte-americano pudesse chegar ao local de culto, a polícia teve de dispersar os manifestantes com gás lacrimogéneo e balas de borracha.

Já hoje, o arcebispo de Washington, Wilton D. Gregory, emitiu uma declaração sobre a planeada visita do presidente Trump ao Santuário de João Paulo II e aos acontecimentos na referida igreja episcopal.
“Acho desconcertante e repreensível que qualquer instituição católica se permita ser tão flagrantemente usada e manipulada de uma maneira que viola os nossos princípios religiosos, que nos chamam a defender os direitos de todas as pessoas, mesmo aquelas com quem possamos discordar”, pode ler-se.
“São João Paulo II era um fervoroso defensor dos direitos e da dignidade dos seres humanos”, acrescenta o arcebispo, e “certamente não toleraria o uso de gás lacrimogéneo e outros impedimentos para silenciá-los, dispersá-los ou intimidá-los por causa de uma oportunidade fotográfica diante de um local de culto e paz”.

OC

Notícia atualizada às 16h59

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