Celebração, marca da identidade católica em Portugal, decorre este ano sem procissões ou tapetes de flores que enchiam ruas de cidades e vilas

Lisboa, 11 jun 2020 (Ecclesia) – As dioceses portuguesas celebram hoje a solenidade litúrgica do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como Corpo de Deus, com programas que incluem Missa e momentos de adoração, mas sem procissões, por causa da pandemia.

Na Paróquia de Santa Eulália, em Fafe, a alternativa foi convidar as pessoas a “adornar as suas janelas ou varandas com as típicas colchas ou algum tecido que ajude a dar beleza e solenidade a este dia”.

Já o padre António Vicente Gaspar, pároco de Alcanede, na Diocese de Santarém, vai proceder à bênção da localidade do alto do castelo, depois da celebração da Eucaristia.

Nos Açores, a comunidade de Povoação, na ilha de São Miguel, convida a população a uma celebração essencial, um ano em que não há tapetes de flores, foguetes, bandas de música ou arraial.

O padre João Ponte, pároco local, propôs á sua comunidade vários gestos, como dar uma flor branca fazer uma Obra de Misericórdia e  contribuir com um doce que vai ser vendido – a receita vai reverter para o Centro Catequético.

O sítio online informativo da Diocese de Angra contextualiza que a Solenidade do Corpo de Deus “é vivida de forma muito intensa nos Açores” e na “esmagadora maioria das paróquias” é o dia principal da Primeira Comunhão, que este ano fica adiada para muitas crianças da catequese.

Na Madeira, também sem os tradicionais tapetes de flores, a atenção centra-se na catedral, como acontece nas várias dioceses, com a celebração presidida por D. Nuno Brás, acompanhado por sacerdotes, consagrados e um representante convidado de cada paróquia.

Já o bispo de Bragança-Miranda vai presidir à Missa na localidade de Pereira, conhecida como “Aldeia Eucarística”, informa a Diocese transmontana; a Eucaristia é seguida de manifestação pública da fé com a bênção do Santíssimo Sacramento, “em conformidade com as orientações de exceção” para o tempo de pandemia.

A Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo começou a ser celebrada há mais de sete séculos e meio, na cidade de Liège, na atual Bélgica, tendo sido alargada à Igreja latina pelo Papa Urbano IV através da bula “Transiturus”, em 1264, dotando-a de Missa e ofício próprios.

Vários bispos anunciaram que, após momentos de adoração eucarística, vão abençoar as respetivas cidades e dioceses.

Esta solenidade terá chegado a Portugal provavelmente nos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus; a exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60.º dia após a Páscoa, uma quinta-feira, fazendo assim a ligação com a Última Ceia de Quinta-feira Santa.

SN/CB/OC

No Vaticano, o Papa sublinhou que solenidade do Corpo e Sangue de Cristo não se vai assinalar, este ano, com “manifestações públicas”, por causa das limitações impostas pela pandemia, mas todos podem viver uma “vida eucarística”.

“A hóstia consagrada encerra em si a pessoa de Cristo: somos chamados a procurá-lo diante do sacrário, na igreja, mas também no tabernáculo que são os últimos, quem sofre, as pessoas sozinhas e pobres. O próprio Jesus o disse”, referiu, na audiência geral desta quarta-feira.

O Papa desejou que todas as pessoas possam encontrar na Eucaristia “as energias necessários para viver com fortaleza cristã os momentos difíceis”.

 

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