D. Américo Aguiar analisa em entrevista à Renascença e à Agência ECCLESIA, gravada na proximidade do Natal, as repercussões da pandemia e da guerra na Jornada Mundial da Juventude, assim como os casos de abuso na Igreja

Foto Renascença

Na mensagem para este que é o Dia Mundial da Paz, o Papa relembra que ninguém se salva sozinho. Um alerta que, de resto, fez quando surgiu a pandemia, em 2020.  É um desafio a mudar o coração e também os critérios habituais de interpretação do mundo e da realidade. Aprendeu-se alguma coisa durante este período e a Jornada Mundial da Juventude Lisboa, que vai marcar 2023, será também a oportunidade para reforçar estes valores?

Era bom que a resposta pessoal e de comunidade e de sociedade a essa pergunta fosse positiva: que aprendemos alguma coisa! O Papa há dias dizia num dos nossos encontros, sobre os jovens e sobre a jornada, que nós nunca saímos de uma crise iguais, saímos sempre de uma crise diferentes. Que bom que era que saíssemos destas crises últimas, diferentes, para melhores.

E essa é a provocação que o Papa nos faz: sermos capazes de olhar para aquilo que foi a vivência da pandemia. E não podemos esquecer as imagens de Março de 2020, a Praça de São Pedro completamente vazia e o homem de branco a cambalear, sozinho, com o peso da humanidade nos seus ombros, em direção a Cristo crucificado.

Todos se deixaram tocar por esta imagem que nos chamou a atenção para aquilo que é o mais importante: a circunstância de sermos pessoas. Na pandemia vivemos na pele e em direto a verdadeira dependência uns dos outros: na nossa casa, na nossa empresa, na nossa escola, nas circunstâncias tão diferentes de cada um, ficámos exatamente na mesma circunstância. E tivemos este homem, o sucessor de Pedro, o Vigário de Cristo na Terra, a transportar a humanidade em direção ao que é essencial, a este Cristo que nos quer salvar, apontando para fazermos caminho juntos.

E a mensagem do Papa sublinha exatamente isso: a diferença que há entre estarmos juntos a vencer um obstáculo e cada um tratar da sua vidinha, como às vezes infelizmente acontece. E a Jornada Mundial da Juventude é muito uma escola disto mesmo. Primeiro, a experiência do ‘juntos’: não há outro encontro, seja lá do que for, seja de música, seja de política, seja de qualquer coisa que possamos imaginar, não existe no mundo outro encontro com esta dimensão. Não existe no mundo outra assembleia com pessoas oriundas de tantos países e de tantas circunstâncias, de periferias geográficas, existenciais, todas ao mesmo tempo, no mesmo local, com o mesmo objetivo. E o Papa tem dito que a jornada de Lisboa pode ser – eu acho interessante a expressão que não é muito nossa – um separador de águas, um antes e um depois. E nós estamos a trabalhar para que isso possa acontecer. Mesmo esta inovação que foi conversada, querida e desejada e amada pelo Papa Francisco daquilo que eram as clássicas catequeses, vão contar com o pronunciamento de cada jovem

E já lá vamos a essa novidade também, nomeadamente desses tempos de diálogo e de catequese, assim chamados. Como tem sido esta experiência de liderar esta organização, enquanto coordenador geral, presidente da Fundação, acredito que com muitos diálogos, com diferentes instituições, com diferentes pessoas, com diferentes sensibilidades. Que a experiência tem sido essa?

A experiência tem sido a materialização do juntos.

Também podemos dizer aqui que ninguém se salva sozinho?

Neste caso, não há dúvida nenhuma que ou estamos juntos ou ninguém é capaz de fazer nada sozinho. Eu tenho de sublinhar que desde a primeira hora temos tido essa possibilidade. E agradeço muito ao senhor Presidente da República, ao senhor Primeiro Ministro, ao senhor Presidente da Câmara de Lisboa, na altura o doutor Fernando Medina e agora o engenheiro Carlos Moedas, ao Bernardino Soares de Loures e agora o doutor Ricardo Leão, à senhora Ministra Ana Catarina Mendes, ao secretário de estado Tiago Antunes, ao senhor Cardeal Patriarca, desde o início como maestro mor desta grande equipa, e às paróquias e às comunidades… E à equipa do Comité organizador! Aliás, ainda durmo com alguma algum sossego, porque sei que nada depende de mim, porque está entregue, está confiado a estas dezenas e centenas de jovens que trabalham no Comité Organizador da jornada, aqui na sede, em Lisboa, em todo o país, nos comités paroquiais e diocesanos e no mundo inteiro: as centenas de jovens no mundo inteiro que são voluntários e trabalham na organização da jornada. É um exemplo de que juntos somos capazes. Temos dito e aprendemos do Panamá e aprendemos nas outras jornadas: se algum de nós se acha capaz de fazer as coisas por si, está enganado. Já aprendi isso, já aprendemos isso é o caminho que estamos a fazer é, de facto, juntos.

Mas a pandemia e agora a guerra na Ucrânia vieram complicar um bocadinho as coisas, em termos de preparação…. Estão em causa sobretudo também consequências económicas?

Um bocadinho é generosidade…! Nunca uma jornada tinha sido mudada de data, nunca uma jornada tinha tido uma travagem a fundo na sua organização como a nossa…

E é bom recordar que estava prevista para 2022 e realiza-se em 2023…

Exatamente… E tudo o que tem acontecido tem sido um desafio permanente. Aliás, a incerteza é a palavra que nos habita no coração desde a primeira hora. Mas também se fosse fácil, não era para nós! É bom dizer isto: é difícil, é para nós, o nosso ADN português está habituado à incerteza, infeliz ou felizmente, dependendo das circunstâncias. Mas tudo se tem reajustado… E também gostaria de significar isso no nosso trabalho com tantas entidades, com tantas áreas, da alimentação, da saúde, dos transportes, da mobilidade, da segurança, todos os intervenientes têm sido magníficos. Gostava de dizer aqui, no nosso auditório: devemos estar muito gratos, muito descansados como país, como povo, em relação àquilo que é a articulação da segurança do nosso país, da Polícia de Segurança Pública, da GNR, das Forças Armadas, do INEM… tudo funciona de modo espetacular, e nós normalmente não temos essa ideia no dia a dia da nossa vida. Por isso estamos muito gratos, até por ter a possibilidade de conhecer o funcionamento de todas estas instituições. E, como diz, todas as incertezas, sejam económicas, sejam pandémicas, sejam da guerra, tenha influenciado a possibilidade de antecipar os cenários. E, por isso, quando os media fazem bullying permanente ‘quando são?’ e  eu digo sempre que nunca digo quantos são, não é por estar a fazer caixinha… É porque não sabemos efetivamente! Se o verão de 2023 for um verão sem problemas económicos, sem problemas de guerra, estou convencido que a jornada de Lisboa será das mais concorridas de sempre… Agora, se a guerra, infelizmente, continuar e se se complicar se a economia tiver evoluções muito negativas, é óbvio que a jornada se vai readaptando a esses cenários.

Apesar de todas as surpresas, a organização da jornada foi marcando este caminho também pela solidariedade, seja para combater a pandemia, seja na solidariedade para com os ucranianos e ainda agora enviou um donativo para a Ucrânia. Esses gestos solidários são um registo para continuar no caminho até à jornada e na própria jornada, em Lisboa?

Sim… No início do confinamento, tínhamos tido uma oferta de computadores portáteis para o trabalho da Fundação e imediatamente os reencaminharmos para os jovens do país – lembram-se que as aulas passaram a ser via digital e algumas crianças não tinham computadores e rapidamente fizemos isso. E como Deus providencia, passado algum tempo, alguém voltou a fazer a mesma oferta para repor a disponibilidade para o que tínhamos necessidade.

E, recentemente, tomámos a decisão de direcionar o retorno da venda de merchandising, das lembranças da jornada, quer nossos, quer dos comités diocesanos, para corresponder ao apelo que o Papa fez de irem em socorro dos ucranianos neste Natal e imediatamente. Não se trata de campanhas a longo ou médio prazo, mas imediatamente. E a solidariedade é, permito me dizer, a caridade – às vezes temos complexos em entender solidariedade e caridade.. Estamos a falar exatamente da mesma coisa. Parece que solidariedade é civil, é caridade cristã. É a mesma coisa que estamos a falar. A caridade tem uma diferença que não apaga a outra, mas a potencia: a caridade é uma dádiva de coração pleno, é Cristo dado plenamente, sem olhar a quem. E a solidariedade também é isso e tem de ser isso – é uma marca da juventude dos tempos de hoje. Nós costumamos dizer: nunca tivemos uma juventude tão formada, nunca tivemos uma juventude tão capaz, mas também nunca tivemos uma juventude tão solidária, nunca tivemos uma juventude tão disponível para abandonar tudo e ir ao encontro dos que mais precisam. Isso é uma marca dos tempos de hoje, que a jornada quer também potenciar.

O Papa Francisco tem pedido aos jovens portugueses para não serem fotocópias e pensarem uma JMJ original. O que é que vai ter de novo a Jornada Mundial da Juventude de Lisboa?

O Papa está sempre a insistir nisso e connosco e com os jovens…

É um desafio grande…

O Papa insiste que tudo seja novo. Mas depois, os organizadores insistem que se repitam as coisas… Temos que encontrar um equilíbrio, porque a máquina, a dimensão do encontro, é tal que qualquer alteração tem as suas dificuldades. E a jornada de Lisboa vai tentar fazer as suas inovações, mantendo aquilo que é estrutura principal e repetida da Jornada Mundial da Juventude.

O Papa tem, aliás, citado o nosso querido patrono, Carlo Acutis, provocando os jovens a ser originais: o que é que eu sou, o que é que eu quero ser? Qual é o sonho que Deus tem no meu coração para eu ser verdadeiramente original? E daí que Ele repita também que os jovens sejam sonhadores, sejam lutadores e sejam poetas. E nós temos de trabalhar para isso… Nós temos que ser capazes de convencer os jovens a perderem o medo de sonhar. Tivemos muito tempo, nos últimos dois anos, em que os jovens foram impedidos de sonhar e alguns ficaram com medo de o fazer e alguns perderam o hábito de sonhar. E temos, como sociedade, de criar todas as condições para que os jovens sonhem e criar as condições para que eles se possam concretizar. E aqui começam os problemas: se olharmos para um jovem de agora e olharmos para um jovem, permitam, da na nossa idade, vemos como as coisas estão totalmente diferentes. Somos de um tempo em que nascíamos numa terra, íamos para a escola, porventura constituíamos família, tínhamos um trabalho, o trabalho garantia economicamente os projetos e o futuro dessa família, éramos  porventura avós e depois íamos para o cemitério lá da terra e para o céu, se Deus quiser. Era assim. Hoje não é assim. Hoje os nossos filhos e netos não vivem este contexto de certeza, pelo contrário, vivem uma incerteza permanente. E como é que nós podemos criar condições para que um jovem vá para a escola, tenha um sonho, lute por ele? Quer ser médico vai ser médico, quer ser pintor vai ser pintor, quer ser trolha vai ser trolha, quer ser bailarino vai ser bailarino…? Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que concretizem os seus sonhos – casar, ter filhos, comprar uma casa e ter um carro. Vamos criar condições de trabalho, que não seja precário e lhes garanta o mínimo para a sua subsistência e para poderem sonhar. Agora, quando estamos num tempo em que ‘x’ por cento da população trabalha e mesmo trabalhando está na linha vermelha da pobreza, estamos a dizer que mesmo trabalhando, estamos no limiar da pobreza…

Estas questões também vão ser refletidas na JMJ. Como é que na prática se vão envolver os jovens?

Há uma área em que vamos provocar a reflexão, que é chamada nova ‘economia de Francisco’. Quando o Papa disse ‘esta economia mata’ – o que causou alguma preocupação em alguns setores -, não é esta especificamente, daqui ou dali, nem é contra esta política ou ideologia, é constatar que os critérios de decisão económica e financeira têm como prioridade o lucro ou às vezes a subsistência das próprias estruturas e não a pessoa e a promoção da sua dignidade, como defende a Doutrina Social da Igreja.

Estou convencido que o mundo futuro, o planeta e os bens naturais não permitem que tenhamos um discurso de economia que cresce indefinidamente. Não é possível. A população humana é cada vez maior, os recursos são cada vez menos e é preciso parar, refletir e dizer “estou disposto a baixar os níveis de comodidade, a reavaliar os meus ‘teres e haveres’ em razão do ‘juntos'”. O que é que eu estou disposto a abdicar para que todos à minha volta estejam melhores? Porque, se continuarmos a cada um querer ganhar cada vez mais e melhor, independentemente disso significar que os outros não vão ter aquilo que merecem e que é um direito, enquanto assim for, a economia mata, efetivamente.

Tocamos outras áreas que também vão marcar a Jornada Mundial da Juventude: a sustentabilidade e a inclusão. Em que é que se vai traduzir esta preocupação na JMJ?

Há uma imagem que ajuda muito, que é a da porta aberta. Temos dito sempre que a Jornada Mundial da Juventude vai ter apenas uma porta aberta, um pórtico escancarado, lembrando S. João Paulo II que dizia para ‘abrir as portas do coração a Cristo’. A entrada na Jornada Mundial da Juventude é um único pórtico para todos entrarem.

O Papa Francisco tem insistido comigo, permanentemente, para que façamos o esforço de fazer chegar o convite da JMJ a todos, e esse ‘todos’ significa todos: quem quer vir vem, quem não quer não vem, mas queremos que saibam que os queremos convidar. Que cada um se sinta verdadeiramente destinatário deste convite. No dia da chegada, vamos corresponder àquilo que é a necessidade de cada um, seja da deficiência, seja da sua periferia existencial ou geográfica, vamos corresponder às suas necessidades especiais.

É um desafio permanente de conhecimento do outro. Somos de um tempo em que o que era diferente causava medo e queremos uma pedagogia, uma comunidade em que o diferente é motivo de acolhimento, curiosidade e conhecimento, mutuamente. Darmo-nos a conhecer e conhecermos. O facto de ser gordo ou magro, careca ou cabeludo, preto ou branco, não deve ser motivo de separação nem de qualquer tipo de medo ou retração. Pelo contrário, devemo-nos conhecer mutuamente, porque também é assim que construímos a paz.

Há muito conflito no mundo inteiro em razão de desconhecer, e por isso desconfiar, e a confiança parte deste conhecimento. Se a JMJ puder ser um contexto em que todos nos damos a conhecer, e acolhemos o outro para o conhecer, e continuamos juntos, independentemente daquilo que nos diferencia, conseguimos o objetivo.

Em termos de preparação da JMJ, e numa altura em que se investigam os abusos de menores no seio da Igreja em Portugal, foi anunciada uma parceria com a APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), para salvaguardar a segurança dos peregrinos a vários níveis. Em que ponto está?

Estamos a trabalhar em dois patamares diferentes. No Patriarcado de Lisboa, a Comissão Diocesana (de Proteção de Menores) está a ultimar esse protocolo, naquilo que acima de tudo significa o foco na prevenção, no território do Patriarcado, e no acolhimento das denúncias. Porque a Comissão Independente (que investiga os abusos) terminou o seu trabalho, está a produzir o seu relatório e agora deixa de receber as denúncias. E uma das coisas que queremos garantir, através da APAV, é que possa ser um dos pontos de indicação a dar para quem quiser continuar a ter alguém como interlocutor nessas mesmas denúncias. Estamos a trabalhar para que o protocolo se concretize e durante 2023 possa estar no terreno.

Na Jornada Mundial da Juventude, o mesmo: estamos a trabalhar com a APAV, também com as responsabilidades governamentais do mesmo assunto, para que, quer a prevenção, quer alguma coisa que aconteça durante a JMJ possa ter um interlocutor certo. E a APAV é o nosso interlocutor certo. E não estamos a falar exclusivamente de abusos no âmbito da sexualidade, estamos a falar, infelizmente, em muitas coisas que podem ser colocadas no chapéu da vítima e através da APAV sentimo-nos seguros e confiantes naquilo que esta parceria nos pode oferecer e, mais do que a nós, aos peregrinos e a todos aqueles que vão viver a Jornada Mundial da Juventude.

A problemática dos abusos pode ter consequências negativas na participação dos jovens na JMJ?

Eu acho que o caminho que estamos a fazer só pode ter consequências positivas na jornada. Ou seja, o que está a ser feito é o certo. Podemos discutir os timings, e muitas coisas, mas o que está a ser feito com a Comissão Independente, por decisão da Conferência Episcopal Portuguesa, é o certo.

Vamos aguardar serenamente a entrega do relatório da Comissão e a partir daí o presidente da CEP e os bispos diocesanos irão pronunciar-se sobre esse relatório e os caminhos a percorrer no futuro.

Insistindo na questão financeira e de orçamento e investimento na jornada: as autarquias e o Governo já anunciaram quanto vão investir e em que áreas. O que é que fica a cargo da organização da JMJ? É possível ou não prever montantes que possam estar envolvidos?

Vai ser possível. Nós não somos profissionais da orçamentação… É um problema. Estamos a fechar o orçamento da Fundação para 2023 e é muito difícil, porque há muitos itens que dependem do número de inscritos e, por isso, temos muita dificuldade em orçamentar. Mas haverá transparência total, somos auditados pela Deloitte. Quando soubermos, vamos dizer.

Tem sido comum acharem, quando às vezes me perguntam, que eu não digo porque não quero dizer, quero fazer ‘caixinha’. Não digo porque não sei! E é preferível dizer quando se sabe do que adiantar e depois andar a corrigir.

Dou um exemplo: na alimentação, estamos a falar de dezenas de milhões de euros. É muito importante este valor para o setor da restauração, que tanto sofreu com a pandemia e tantas dificuldades tem tido, e tem aqui um oxigénio muito significativo. É o dossier mais complicado, na logística. E agradeço muito à Associação da Hotelaria e Restauração, a ARESP, que tem um protocolo connosco e nos está a ajudar, mas é um dossier em que no orçamento vamos por um asterisco a dizer ‘tendo como indicação 200 mil, 500 mil ou um milhão de peregrinos’… Faz oscilar este número, e tudo o resto também.

O que posso desde já dizer, sem ser o número – que direi quando souber – é que o  Estado, naquilo que é o Governo de Portugal, as câmaras de Loures, Lisboa, Oeiras e outros municípios e instituições, já partilharam os seus orçamentos, tudo o resto que falta e não está ali previsto é da nossa responsabilidade, da Fundação JMJ, nomeadamente tudo o que significa o acolhimento ao peregrino: alimentação, alojamento, transportes, seguros, os conteúdos e os eventos.

Tentámos que os jovens fossem onerados o menos possível e há uma coisa que também convém repetir: nenhum jovem paga para participar na jornada. Pode parecer estranho, mas o valor que os jovens pagam à organização é para estes serviços que estamos a falar.

E nem todos os peregrinos vão precisar desses serviços…

Exatamente.

Esses não pagarão?

O mínimo a pagar, se alguém quiser, é comprar o kit da JMJ. Agora, pagar uma inscrição para participar nos eventos do Papa, isso não acontece.

No cálculo que fizemos, o valor é quase igual ao das jornadas do Panamá, de 2019. Arriscámos esse esforço, agora temos que rezar à ‘santa inflação’, para que não nos cause grandes transtornos na execução do orçamento.

E neste 1 de janeiro, quantos peregrinos já estão inscritos na jornada?

Já estamos a caminhar muito dentro da fasquia dos 300 mil inscritos. Mas, gostava de chamar a atenção para o seguinte: isto não quer dizer nada. O histórico das inscrições é como uma montanha russa: até 31 de dezembro houve um pico, que depois para, na Páscoa há um novo pico que depois para, e na reta final do Verão, ataca outra vez…

São inícios de processos de inscrição?

Exatamente. Os números dizem-nos que há uma reação positiva dos jovens do mundo inteiro, e isso é que é importante sinalizar, até comparando com o histórico das outras jornadas.

E voluntários e famílias de acolhimento? As inscrições também estão a decorrer…

Estão, e quer uns, quer outros, também estão em alta?

Aproveito para reforçar a necessidade que temos de voluntários – depende do número de inscritos – mas estamos a falar de 20, 30 mil voluntários para a jornada.  As famílias de acolhimento também são muito importantes. A identidade da JMJ é o acolhimento em famílias e peço que as famílias de Santarém, Setúbal e Lisboa olhem para casa: são precisos dois metros quadrados, porque os jovens levam saco cama, casa de banho para higiene pessoal e pequeno almoço.

Não tenham medo, porque é das experiências mais valorizadas pelos jovens e também pelas famílias que arriscam a abrir a porta da família e do coração. Não tenham medo destes jovens, pelo contrário, abram as portas das vossas famílias e corações, porque isso significa também abrir o tal pórtico de acesso à JMJ, e as famílias acolherem os jovens de braços abertos.

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