Padre João Augusto Martins presidiu à sessão de abertura do encontro de formação dos primeiros professores da disciplina nas escolas públicas que conta com a colaboração do Secretariado Nacional da Educação Cristã de Portugal

Foto Agência ECCLESIA/PR, Encontro de Formação de Professores de EMRC de Cabo Verde, na cidade da Praia

Paulo Rocha, enviado da Agência ECCLESIA a Santiago, Cabo Verde

Praia, Cabo Verde, 09 set 2019 (Ecclesia) – O vigário-geral da Diocese de Santiago afirmou no encontro de formação dos primeiros professores de Educação Moral e Religiosa Católica nas escolas públicas que a disciplina enfrenta o desafio da aceitação e tem de “saber estar” na sociedade cabo-verdiana.

“Nós estamos legais. Mas uma coisa é estarmos legais, outra coisa é sermos aceites”, disse o padre João Augusto Martins na sessão de abertura do encontro que reúne os primeiros professores da disciplina nas escolas públicas.

A Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) vai ser implementada neste ano letivo 2019/2020 em 13 escolas públicas cabo-verdianas, tendo por enquadramento legal o artigo número 49 da Constituição da República do país, onde se consagra a “liberdade de consciência, de religião e de culto”.

Na Lei de Liberdade Religiosa de Cabo Verde, de 16 de maio de 2014, indica-se que as “escolas e comunidades e organizações religiosas reconhecidas” podem requerer o ensino da respetiva Educação Moral e Religiosa, de forma “opcional e não alternativa”.

“É-nos dada uma oportunidade de sabermos dizer quem somos, de forma articulada, às crianças. É um desafio para nós. Nós vamos abraçar com entusiasmo este desafio”, disse o padre padre João Augusto Martins, que é também o conselheiro espiritual para a implementação da disciplina EMRC em Cabo Verde.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o vigário-geral da Diocese de Santiago lembrou que, desde a assinatura da Concordata entre Cabo Verde e a Santa Sé, no dia 10 de junho de 2013, tem havido “mal-entendidos” na sociedade local, apontando para um regime de “privilégios” dado à Igreja Católica, nomeadamente pela assinatura de um tratado internacional exclusivamente a uma confissão religiosa

O padre João Augusto Martins considera que “não é possível” um acordo entre a Santa Sé e outra religião porque nenhuma é “representada por um chefe de Estado, como o Santo Padre”.

O sacerdote lembra também que a Igreja Católica está presente “desde o início de Cabo Verde”, também em momentos negativos como os da escravatura, acrescentando que “os tempos passam e Deus continua o seu desígnio”.

Para o padre João Augusto Martins, as “coisas ficam serenadas” depois de esclarecidos os “mal-entendidos” e a disciplina de EMRC vai ser uma oportunidade de oferecer uma “educação integral” nas escolas públicas.

O encontro de formação de professores de EMRC em Cabo Verde conta com a participação do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) de Portugal, através da colaboração de cinco professores de diversas dioceses.

Para o diretor do SNEC, a presença de Portugal na formação de professores de EMRC é uma ocasião de aprendizagem com o “ímpeto inicial ao abraçar o grandioso projeto que é a presença da disciplina nas escolas públicas em Cabo Verde”.

Fernando Moita reafirmou na sessão de abertura do encontro a “firme certeza de que a disciplina ajuda a escola a cumprir a sua tarefa e a sua missão”.

“Acreditamos que com a disciplina de EMRC a escola é mais escola, é mais humana, a escola aponta para um futuro melhor”, sublinhou o diretor do SNEC.

13 escolas públicas de Cabo Verde vão iniciar nesse ano lectivo de 2019/2020 o ensino da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica no 1º, 5º e 9º ano, para além de continuar a oferta da disciplina nas sete escolas católicas do país.

A Comissão para a Implementação da Disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica reuniu os primeiros 30 professores cabo-verdianos para um encontro de formação que iniciou hoje e termina na sexta-feira, dia 13 de setembro.

PR

Partilhar:
Share