Dioceses do Algarve, Beja e Évora mobilizaram cerca de 40 docentes

Foto Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Faro, 26 fev 2019 (Ecclesia) – As dioceses do Algarve, Beja e Évora promoveram uma formação para os professores de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) que refletiu sobre o enquadramento da disciplina na autonomia e flexibilidade curricular, durante um fim de semana em Ferragudo.

“Nós já estávamos preparados para esta flexibilidade curricular e já tínhamos até definido em termos de programa com que disciplinas é que podíamos articular, quais os conteúdos da nossa disciplina que são compatíveis em termos de temática com conteúdos de outras disciplinas”, disse a professora Maria da Graça Pinto, que trabalha no agrupamento de escolas de Vendas Novas, na Arquidiocese de Évora.

Na informação enviada à Agência ECCLESIA, pelo jornal ‘Folha do Domingo’, a docente de EMRC há 26 anos destaca que a autonomia e flexibilidade curricular “é uma questão importante” que está adequada e que mostra que têm que “alterar o caminho como docentes e como educadores” e aponta “algumas pistas para essa mudança de rumo e de direção”.

A formação analisou os documentos de referência da autonomia e flexibilidade curricular, nomeadamente, o “Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória”, que foi homologado pelo Ministério da Educação, em julho de 2017, e entrou em vigor um ano depois.

A responsável do Secretariado do Ensino Religioso Escolar da Arquidiocese de Évora, que foi a formadora, contextualizou que os decretos-lei de 54/2018 e 55/2018, ambos de 6 de julho, obrigaram a uma “reflexão muito profunda sobre todo o processo de ensino e de aprendizagem”.

“Foi necessário cada disciplina definir as aprendizagens essenciais. Essas aprendizagens devem ajudar o aluno, no percurso dos seus 12 anos de escolaridade, a adquirir esse tal perfil”, explicou a professora Maria Manuela Barreiros.

A docente na Arquidiocese de Évora salientou que o perfil do aluno “baseia-se em princípios e valores” que a disciplina de EMRC defende, “valores que estão implícitos na Declaração Universal dos Direitos Humanos” dando-lhe o cunho da “confessionalidade católica”, que pretendem “o caminho para a felicidade, o caminho da inclusão e da tolerância”.

Foto Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A formação interdiocesana – Algarve, Beja e Évora – reuniu quase 40 dos cerca de 75 professores de Educação Moral e Religiosa Católica que existem nas três dioceses do sul, que são das que “têm menos docentes de EMRC”, no Centro Social e Pastoral da Diocese do Algarve, em Ferragudo.

O coordenador do Departamento de EMRC, do Secretariado Nacional da Educação Cristã, considerou a mudança legislativa “uma tentativa do governo de colocar ainda mais a centralidade da aprendizagem do aluno no sistema educativo”, “menos nos resultados e mais nos processos”, dotando as escolas de alguns instrumentos de “índole pedagógica”.

“A nossa disciplina porque toca a quase totalidade dos saberes, tem de ser uma disciplina muito flexível. A EMRC encara a formação de pessoas, valorizando a dimensão valorativa”, acrescentou o professor Fernando Moita, assinalando ainda ao jornal diocesano que a formação dos docentes é um dos “grandes desafios” e “é a grande aposta” da disciplina.

CB

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